13 fevereiro, 2006


BROKEBACK MOUNTAIN...


Mais do que uma história sobre homossexualidade Brokeback Mountain é uma história de amor. Um amor palpável, forte, viciante... Uma paixão arrebatadora que vai unir dois homens durante mais de vinte anos. Mas o mais torna mais forte o filme de Ang Lee é o contexto social em que a história se insere... Uma sociedade preconceituosa baseada no macho dominante dos ambientes de cowboys, gado e "rodeos".
Jack e Ennis conhecem-se em Brokeback Mountain e é lá que vão descobrir os sentimentos que os prendem um ao outro mas que acabam por sufocar a vida de cada um. É nas fantásticas paisagens da montanha, onde o céu é mais azul, onde a água é mais transparente, e as pastagens mais verdejantes que o segredo vai ficar guardado por muitos anos... Até conhecerem o lado mais trágico do amor... Porque a vida fora da redoma da Brokeback Mountain é bem diferente.
Um filme sem preconceitos numa sociedade preconceituosa.
A interpretação dos actores é simplesmente notável... Ambos mereciam o óscar!

10 fevereiro, 2006

PARABÉNS, JAGUNCINHA!

09 fevereiro, 2006



Hoje apetece-me falar da Sarita. Da minha querida jaguncinha. Afinal amanhã faz 24 aninhos : )
Para mim falar da Sara é fácil... É sempre fácil falar de quem gostamos... Pelo menos para mim é. E eu gosto muito da Sara. Gosto porque gosto. Porque é das melhores pessoas que conheço. Porque a conheço. Porque me faz rir e sorrir. Porque me contagia com a sua energia positiva. Porque sabe ouvir. Porque me ensina. Porque sabe o valor do tempo. Porque me diz para não ter calma e aproveitar o momento. Porque me conhece. Porque sinto falta dela quando estamos um dia sem falar, nem que seja só para dizer olá. Porque é uma lutadora e uma vencedora. Porque é simplesmente simples. Porque é generosa. Porque gosta tanto da praia como eu gosto. Porque gosta de cores alegres e de ouvir hip hop. Porque faz uma tarte de maçã de cair para o lado. Porque é genuína. Porque preciso dela. Porque ela é assim. Porque gosto dela. Muito.
Espero que tenhas um dia muito feliz... E uma vida inteira a aproveitar intensamente cada momento.

07 fevereiro, 2006



Desde que saiu o filme Before Sunset que andava à procura do guião do filme... Mas nada... Até que a Sandra disse que o tinha, em livro! E emprestou-mo! Por isso, ando deliciada a lê-lo! E aqui fica um cheirinho de uma das minhas cenas favoritas: a última!

Just in time you've found me just in time
Before you came my time was running low
I was lost the losing dice were tossed
My bridges all were crossed nowhere to go
Now you're here and now I know just whre I'm going
No more doubt or fear I've found my way
For love came just in time you've found my way
And changed my lonely nights that lucky day.

Yo, baby, you gonna miss that plane...


(Celine's Song)
Obrigada, Sandra! : )

06 fevereiro, 2006

PARABÉNS à minha querida prima Sara! Desejo-te não apenas um dia mas uma vida cheia de sorrisos... Com a tua banda sonora preferida! Gosto MUITO de ti!



Ultimamente tenho andado a pensar muito em praia... Que saudades! Praia à mistura com viagem ao Brasil... Angra dos Reis ou Búzios? Eis a questão!

Ser mãe até ao limite... Mesmo quando as circunstâncias lhe roubam o seu único sentido da vida. Porque quem nasce para ser mãe nunca deixa de o ser.

29 janeiro, 2006

HÁ IMAGENS QUE VALEM POR MIL PALAVRAS! DEPENDE DA IMAGINAÇÃO DE CADA UM!

A grande conclusão que retiro do derby é que não se deve susbtimar o adversário!

O SPORTING É DEMASIADO GRANDE!

24 janeiro, 2006

SAUDADES
Sinto que ultimamente não tenho tido muito tempo. As semanas passam a correr e o fim-de-semana é demasiado curto para fazer tudo aquilo que desejo e que tenho planeado. Sinto que já não estou há algum tempo com algumas pessoas que fazem parte da minha vida, dos meus amigos, de mim. E fico triste comigo mesma porque não tenho conseguido organizar-me. Sim, porque trata-se de um problema de organização. Mais do que sociológico. Por isso, vou fazer um grande esforço para arrumar as saudades e apertar-vos num forte abraço.
Pat e Ana, lembro-me todos os dias de vocês, acreditem, apesar de não estarmos há algum tempo juntas. Desculpem-me pela ausência de notícias! Falei hoje com a Sofia... E as saudades aumentaram. Encontro precisa-se. Com urgência!
Joana P., o nosso lanchinho vai mesmo sair. Mas é para esquecer a dieta! Bolinho garantido!
Carol, o jantar do Girl Power vai sair. Provavelmente para o próximo fim-de-semana. Vou tratar de tudo!
Richard... Que saudades! A sério... Preciso mesmo de estar contigo! É uma questão de terapia. Aliás, de sobrevivência! ; )
Tita Xana... Ça va! Obrigada pela sms... Ia já ter contigo, se pudesse!Tu me manques beaucoup!
Luzeta, este fim-de-semana sem ti não foi a mesma coisa! Quero saber as novidades...
Jonhy, Dr. cinéfilo... O que é feito? Tenho saudades das nossas reuniões que tanto nos fazem rir ao lembrarmo-nos do que aconteceu no liceu... E a da Ana, claro! A propósito, tenho de lhe mandar um mail!
Sérgio, rapaz, tenho-me lembrado de ti. Estou com vontade de ir ver o Match Point... E preciso que me dês umas dicas sobre viagens! Ando a planear as próximas férias!
Jaguncinha, minha querida, temos de marcar um almoço numa esplanada a absorver os raios de sol... Ou então fazemos uma caminhada pelo Guincho, para desanuviar! E lembrar os velhos tempos de dolce fare niente!
Joaninha voa voa... Não falo contigo desde domingo. Espero que estejas bem! Muito bem!
Carlinha e Van... Meninas trabalhadoras, meninas da TV! Deves andar doida com os castings, Carla... E tu, querida Vanessa, com as tuas reportagens! Vamos lá combinar uma jantarada. A do Girl Power era boa ideia. Vinham até à linha!O que vale é que vos tenho na parede do meu quarto! Nós nas águas tépidas de Porto de Galinhas! : )
Espero não me ter esquecido de ninguém...
Fica prometido. Já é tempo de me organizar!
Beijinhos para todos. Muitos.

21 janeiro, 2006

ESMAGADOR. FEMININO. DE CORTAR A RESPIRAÇÃO. IMPERDÍVEL. ANGUSTIANTE. FANTÁSTICO. SUFOCANTE. TERNO. PARA REVER. INESQUECÍVEL. ALMODÓVAR.

19 janeiro, 2006


Li uma vez num artigo que só nos apaixonamos verdadeiramente duas vezes na vida. Que só dispomos de duas oportunidades para amar incondicionalmente, como se tratasse de um jogo de computador no qual se morrermos temos direito a uma nova oportunidade, um bónus de uma vida. Se nos enganarmos uma vez, se cometermos algum erro, temos direito a mais uma tentativa. Mas será mesmo assim? Será que só podemos errar uma vez? Quantos créditos ainda temos? Será que devemos fazer o cálculo antes de nos aproximarmos de alguém... Antes de termos a certeza de que os queremos gastar com aquela pessoa. Não sei se é bom ou se é mau mas acho que ainda tenho os dois créditos! Estive prestes a gastar um deles... Gostava de o ter gasto.

17 janeiro, 2006

ELOGIO AO AMOR - by Miguel Esteves Cardoso
Hoje recebi este texto do meu querido cunhadinho especial. E quero partilhá-lo convosco. Obrigada, Sérgio! Há muito tempo que não lia nada tão apaixonante.
"Quero fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria. Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam"praticamente" apaixonadas. Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá tudo bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo? O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso"dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não dá para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."

16 janeiro, 2006

Está frio. Aliás, muito frio. Sinto-o a percorrer-me o corpo, devagarinho, e a apoderar-se dos meus pés. Só me apetece enrolar numa manta junto à lareira e fechar os olhos, ao som da SIC Notícias. Mas antes disso vou encher a banheira e mergulhar num banho de imersão. Não tenho este hábito mas de vez em quando sabe muito bem ficar de molho, em banho maria, a relaxar o corpo e a alma. Sem pensar em nada. Apenas sentir o calor a subir pela pele e o cheiro a maçã verde do gel de banho. E hoje preciso mesmo disso. Comecei a semana a meio gás porque o fim-de-semana foi cansativo mas muito divertido. É uma pena só ter dois dias! Nunca dá para fazer tudo aquilo que gostaríamos nem que planeámos.
Vou para a banheira antes que os meus pés congelem.

15 janeiro, 2006


A vida pode ser uma tragédia ou uma comédia... Depende do ponto de vista!

Domingo à tarde chama mesmo por um filme e hoje rendi-me a Melinda & Melinda, do génio Woody Allen. Gostei muito. É um filme para reflectirmos e tem muito a ver com aquilo que faço. Quando vários guionistas se encontram... O debate é garantido. É engraçado perceber que que somos nós que criamos o percurso dos personagens. Somos nós que lhes damos vida. Somos nós que decidimos por eles. E por isso somos um bocadinho deles. Mas na vida real as coisas são bem diferentes. Ou será que não? Talvez não. Mas por vezes falta-nos a coragem de tomar decisões que projectadas num personagem são muito mais fáceis de tomar. Este filme mostra-nos dois percursos da vida de Melinda. Um pela perspectiva trágica e outro pela cómica. Eu prefiro a segunda! E acho que essa está sempre mais perto de nós! (A maioria das pessoas é que complica!)
Um filme a não perder! Nem que seja para ver a vida de uma outra perspectiva.

13 janeiro, 2006


30 de Dezembro de 2005. Caravana rumo a Vale de Cambra, 40 km da Invicta. Primeira paragem: Estação de Oeiras. Estava frio. Um vento gelado percorria os nossos corpos e agitava os cabelos. Começavam a chegar os carros, que transportavam a emoção e a ansiedade de passar o ano da melhor maneira. Vanda, António e André num carro. Sérgio, Tiago, Elisa e Rita noutro. Eu, maninha e Ana Rita apanhámos boleia do Sr. Jerónimo, que é sempre tão generoso! Deu-se o sinal de partida e a caravana foi avançando. Lisboa foi ficando cada vez mais para trás. E o entusiasmo ultrapassava-nos cada vez mais depressa. Pé delicado no acelerador, que o tempo não estava para brincadeiras. Duas horas de viagem e lá parámos na Mealhada. Houve quem tivesse o estômago a chegar às costas e a sandocha de leitão é sempre bem-vinda. Mesmo que seja frango tipo leitão. A caravana regressou à estrada. Depois de curvas e contra-curvas lá encontrámos a tal casa! Com vista para a cidade. Precisamente numa encosta. Malas, cobertores, edredons, sacos de compras na mão… Lá fomos para dentro de casa. Os anfitriões fizeram uma visita guiada. Com almofadas nas mãos, escolheram-se os quartos. Com a autorização da avó Almeida, claro! Não fosse a bruxinha que estava dentro do pote de vidro lançar algum feitiço. O frio, que tocava nos ossos, foi afastado pelo calor da lareira (acendida pelo Sérgio, o profissional do tarolo). Muito melhor. A temperatura do corpo começava a aquecer. Com ajuda da Quinta de Cabriz, o indispensável suco de uva! O cansaço e o sono de uns contrastava com a energia de outros. Testou-se o som. E as colunas gritavam, prestes a acordar a cidade inteira. Os resistentes ficaram na sala. A dar à língua e ao magnífico vinho. O fogo da lareira apagou-se. O silêncio tomou conta da casa. Só às 12h00 é que a campainha tocou. Mas não houve meio da Preciosa aparecer! Tocou uma e outra vez. ALVORADAAAA!
14H30 Rumo ao snack bar/Restauran Avistada (Casamentos e Baptizados) Belo repasto... Vitela, bacalhau e carne arouquesa, regando com o Tal da lixa!Sobremesas, cafés, chá (com e sem leite) , grojeta, e simpatia pela mósida quantia de 11 euros por pessoas! Ladrões!Saídos do restauran, ao som da banda sonora tosse seca Andy lá entramos para os carros. Curvas, contra-curvas, nevoeiros, lá subimos a serra. Uns mais depressa do que outros. Mas lá chegámos ao cimo. Vista deslumbrante. Com direito a cascatas e tudo. E a piscinas naturais. E a água não era aquecida, que o Vargas comprovou! Feita a digestão lá fomos para casa. Acendeu-se o lume e aqueceu-se o corpo e a alma. Com conversas paralelas. Com batota à mistura e muitos telefones a tocarem. E desta vez não era o da Vanda. Houve quem tentasse soltar o pombo uma e outra vez. Mas quando o pombo não quer sair da gaiola não há nada a fazer. Mas o que importa é a persistência! Preparativos para o Reveillon!!! Tudo para a cozinha! Patés de atum (Com pouca maionese, claro), queijos variados, muitas garrafinhas (Marquês de Borba, Quinta de Cabriz e sumo de morango especialmente para o anfitrião), pão, broa (o bocadinho que a senhora lá tinha, uma desgraça!), mais vitela e salada, que faz sempre bem! Bolinho de chocolate da Rita e salada de fruta da lata! Tchim tchim e uma frase bonita! Todos disseram e até se brindou ao este blog, que é um bocadinho de todos nós! E a muitas jantaradas que aí virão! Família reunida. Oração. Partida! Tudo ao ataque! Risos, sorriso, olhares cruzados... Paixões reveladas, outras mais escondidinhas... Enfim... A vida é feita de paixões e amizades e 2006 estava quase a chegar. Contam-se as passas. Rigorosamente. Não vá faltar um desejo! Pensa-se neles. E volta-se a pensar. Para não nos esquecermos. Lembramo-nos pela última vez de 2006. Sorrio. Vamos em corrida para o R/C. Com a bela da Moet, que as manas levaram. Faz-se a contagem: 10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2 , 1!!! 2006 acaba de chegar! Beijos e abraços, que é como se quer que seja o ano! Música no ar. Engolidas as passas e repetidos os desejos brindamos ao novo ano, à felicidade daquele momento que esperemos que possa representar os tempos que se avizinham. O DJ António começa a passar o som! Love Generation abre a pista. Os corpos abanam-se por ali. E os copos também. Até tivemos direito a música brasileira (o milagre do sumo de morango!). Comboio para ali, comboio para aqui. Vamos em direcção aos quartos e às camas, o comboio segue, segue, segue, atropelando tudo e todos e a senhora do quadro lança-nos olhares de reprovação tal era a festança. Mudança de turno. Dj Tó dá lugar a DJ Andrew. Toda a gente a sentir o som. Até chegar ao funeral do emigrante, coitadinho! Na cozinha há quem se tranque. Hora do confessionário. Mas na pista as resistentes vão dançando. A noite espreita-nos. E oferece-nos o brilho das estrelas. Mais uma tentativa de caçada mas a pomba é levada da breca! fecha-se na gaiola. O anfitrião bem pegou na arma para ajudar o outro caçador mas a pomba está com tosse, coitadinha. As horas passam. O silêncio apodera-se das ruas. E começa a invadir a sala. Só a aparelhagem é que resiste. E o lume da lareira. Há noivos que decidem abrir as hostes do novo ano... Outros que se metem nas gaiolas. Quer dizer, nos quartos! E assim terminou a noite de reveillon. Pelo menos foi assim que terminou na minha cabeça. Final feliz. Ou melhor, INÍCIO FELIZ! Bom ano para todos! Obrigada pelos momentos fantásticos que passámos e por aqueles que ainda vamos passar!
P. S.- Quando encontrarem a pomba ou o pombo agarrem-na/o bem! Não a deixem fugir! ; ))

11 janeiro, 2006

PASSAGEM DE ANO! A largada de pombos em Vale de Cambra. Como a crónica ainda não está pronta (Preguicite aguda, confesso) aqui fica a foto-reportagem.
























O SOPRO DO CORAÇÃO


Sim, o amor é vão
É certo e sabido
Mas então (Porque não)
Porque sopra ao ouvido
O sopro do coração
Se o amor é vão
Mera dor mero gozo
Sorvedouro caprichoso
No sopro do coração
No sopro do coração
Mas nisto o vento sopra doido
E o que foi do
Corpo no turbilhão
Sopra doido
E o que foi do
Corpo alado
Nas asas do turbilhão
isto já nem de ar precisas
Só meras brisas
Raras
Corto em dois limão
Chego o ouvido
Ao frescor
Ao barulho
À acidez do mergulho
No sangue do coração
Pulsar em vão
É bem dele
É bem isso
E apesar disso eriça a pele
O sopro do coração
O sopro do coração
Mas nisto o vento sopra doido
E o que foi do
Corpo no turbilhão
Sopra doido
E o que foi do
Corpo alado
Nas asas do turbilhão
Nisto já nem de ar precisas
Só meras brisas
Raras

(Sérgio Godinho)

PARA OUVIR E CHORAR POR MAIS!

03 janeiro, 2006


Um lugar vazio...
Estou triste. Acabei de saber que o jornalista Carlos Cáceres Monteiro nos deixou esta madrugada. Tive a sorte de o conhecer há quase um ano. E nunca me hei-de esquecer daquele senhor. Nunca. Por mais tempo que passe. Precisava de o entrevistar para a minha tese, que era sobre repórteres de guerra. Mandei-lhe uma carta sem esperança de obter resposta, confesso. Afinal era o director da revista e do grupo, que certamente tinha uma agenda muito ocupada. Uns dias mais tarde fui surpreendida por um telefonema da sua secretária para marcarmos a entrevista. Lembro-me de que no dia em que ia conversar com aquele grande repórter estava um bocadinho assustada. Afinal, ia entrevistar o "monstro" do jornalismo português. Entrei no luminoso edifício da Edimpresa e fiquei à espera, sentada num sofá, com o meu caderninho na mão. A secretária avisou que o Carlos ia chegar um pouco atrasado porque estava numa reunião. Passados alguns minutos lá me disseram para subir. Entrei no elevador e senti-me uma formiguinha. Subi ao primeiro andar e atravessei uma sala. A secretária apresentou-se. Era muito simpática. E levou-me para uma outra sala, onde estava o Cáceres Monteiro. Lembro-me dele como se fosse hoje. Vestia uma camisa de xadrez em tons de azul e creme e trazia umas calças bege de bombazine, a condizer. Naquele dia tinha um penso rápido no rosto. Deu-me dois beijinhos e pediu desculpa pelo atraso. Despiu o blazer e toda a formalidade. Tinha uma postura serena e uma voz doce. Comecei a entrevista, que rapidamente se tornou uma conversa. É incrível a dimensão humana que aquele senhor tinha. E a humildade. Foi talvez o jornalista português que cobriu mais conflitos, mais crises internacionais. Provavelmente o jornalista português com mais experiência mas com uma humildade impressionante. Encarava cada trabalho como uma missão, sem marcas de heroísmo. Foi isso que mais me tocou nele. A sua simplicidade. Conversámos durante algumas horas, que passaram a correr. Porque cada pergunta que lhe fazia ele contava-me uma história. Era um grande contador de histórias. Absorvia tudo. Falou-me da sua passagem pelas guerrilhas de El Salvador, pelas duas Guerras do Golfo, por Timor, pela Indonésia, por Israel, por Angola, a sua presença nas eleições da Rodésia, nos jogos Olímpicos do México... Sempre com um entusiasmo contagiante. Para além do jornalismo Cáceres Monteiro tinha outra paixão: as viagens. De todos os jornalistas que tinha entrevistado para a tese foi aquele que mais me marcou. Depois da entrevista despediu-se de mim, muito amável. Deu-me o seu número de telefone pessoal (para o caso de eu precisar de mais alguma coisa) e disse-me que um dia daqueles podíamos almoçar. Saí daquela sala com um sorriso nos lábios. A admiração que tinha por aquele grande senhor disparou naquelas horas. Fiquei de lhe enviar o trabalho mas como a nota ainda não saiu não fui a tempo... Este Natal quando percorria a minha lista de contactos do telemóvel para enviar mensagens parei no número de telefone dele. Estive quase para lhe enviar os votos de um feliz Natal mas pensei que provavelmente ele não se iria lembrar de mim. Quem me dera ter enviado...
Fico com a recordação de um senhor inteligente, simples, simpático, que um dia me disse que "nós também somos aquilo que vivemos". Portanto, um grande jornalista. Um grande homem.

01 janeiro, 2006

NOVO ANO... VIDA NOVA!

2005 já lá vai... E nesta altura é natural fazermos o balanço do ano que passou. Para mim, 2005 começou de uma forma muito especial, junto de pessoas que eu adoro, longe de tantas outras que são muito importantes na minha vida, mesmo por baixo das estrelas de Pedras d'el Rei (onde o céu é mais brilhante), onde conheci outras tantas... Umas que valeu a pena conhecer... Outras nem tanto. Mas a vida é mesmo assim. E só fica aquilo que realmente é importante.
Tudo isto para dizer que 2005 foi um ano muito especial. Que começou de uma forma muito especial. Por isso, espero que 2006 seja assim. Pelo menos também começou da melhor maneira. Quero desejar a todos um excelente ano! Que façam o favor de perseguir a felicidade. E se não puderem viver o momento... Sigam o que sentem!
P.S- Não, não me esqueci da crónica da passagem de ano. Aqui, brevemente!

23 dezembro, 2005



FELIZ NATAL PARA TODOS!


Esta época diz-me muito. Mesmo muito. Lembro-me ainda mais da família e dos amigos e sinto-me uma pessoa cheia de sorte. Feliz. Ou melhor, muito feliz! Porque tenho uma família fantástica, que amo mais do que tudo na vida, e amigos. Verdadeiros. Que conhecem bem o valor da amizade. Pessoas especiais que tive a sorte de encontrar neste caminho e sem os quais a minha vida iria ficar muito menos luminosa.
A família não se pode escolher e eu tive a sorte de vir parar a esta... A melhor do mundo! Assim quis o destino... Para minha felicidade. E os amigos pude escolher e por isso... São os melhores! : ))
Chego a esta altura e fico nostálgica... Mas feliz! Sinto-me mesmo a pessoa mais feliz do mundo.
À minha família e às minhas amigas e aos meus amigos... Obrigada por existirem e por me terem deixado entrar na vossa vida!
Quero desejar um natal muito especial, junto das pessoas de quem gostam, com muita harmonia e paz! E se possível com uns presentinhos para animar ainda mais a noite!
Muitos beijinhos!

19 dezembro, 2005






Há músicas que me fazem arrepiar. Esta é uma delas. Dos COLDPLAY.




"Fix You"
When you try your best, but you don't succeed
When you get what you want, but not what you need
When you feel so tired, but you can't sleep
Stuck in reverse
When the tears come streaming down your face
When you lose something you can't replace
When you love someone, but it goes to waste
Could it be worse?
Lights will guide you home
And ignite your bones
And I will try to fix you
High up above or down below
When you too in love to let it go
If you never try you'll never know
Just what you're worthLights will guide you home
And ignite your bones
And I will try to fix you
Tears stream down your face
When you lose something you cannot replace
Tears stream down your face
And I...
Tears stream down on your face
I promise you I will learn from the mistakes
Tears stream down your face
And I...
Lights will guide you home
And ignite your bones
And I will try to fix you

18 dezembro, 2005


ARTE SEM TECTO


É uma galeria diferente. Os artistas são diferentes. E todos são convidados a entrar. Ou melhor, obrigados a entrar. Desde os velhos casais que carregam as compras apressadamente na esperança de não perder o autocarro, até aos mais jovens que param nas casinhas de artesanato para verem as novidades. Por vezes, esquecem-se de que estão a atravessar uma galeria. E esquecem-se sobretudo de que aquela rua é uma morada da arte.
Na Baixa lisboeta, a Rua Augusta é a nova casa dos pintores de rua. A grande calçada do início alberga cerca de 8 pintores. Expositores improvisados, feitos com antigas tábuas de madeira, mostram a técnica, os materiais e até a alma daqueles homens que seguram o pincel ou o lápis como se fossem objectos preciosos. Aguarelas que revelam os recantos da cidade, esboços de caras em carvão, réplicas de fotografias e postais a óleo são muitas das obras de arte que ali podemos encontrar. São artistas diferentes. Estão ali por motivos alheios aos outros pintores. Alguns pintam para agarrar a vida e pagar a droga. A maioria divide os quartos numa pensão ali perto, “medonha”, como classifica Pedro Jesus- um homem aparentemente jovem, de cabelos escuros e desgrenhados que fala com um olhar expressivo. Tão expressivo que chega a incomodar. Veste uma grossa camisa de flanela ao xadrez cujo bolso está descaído com o peso dos lápis. Entre desabafos e queixas, Pedro Jesus conta que ali a “concorrência é a droga”. A rivalidade entre pintores aumenta quando se trata de arranjar dinheiro para a droga. Pedro desde sempre que está ligado às artes. Durante 17 anos fez traço e depois a pintura surgiu naturalmente, assim como o artesanato. Enquanto fala, mete a mão num saco de plástico e tira uma mala feita em couro castanho. “Esta foi a primeira mala que fiz”, diz com um brilho no olhar. Mas é a pintura que lhe paga as contas: “Sobrevivo da pintura, com muita dificuldade.” O facto de ser judeu permite-lhe fazer jejum quando o dinheiro não chega, porque os portugueses são maus consumidores de obras de arte. Pelo menos da sua pintura, dita transcendente, na qual expõe “formas cabalísticas da árvore da vida e do mundo judaico”. Cores fortes misturadas com espaços vazios, linhas dispersas e objectos desconhecidos são a verdadeira testemunha do percurso de vida que Pedro Jesus tem levado. Rabiscos de loucura cruzam espaços imaculados. Nem os preços baixos da pintura de Pedro entusiasmam os portugueses. “Compram muito raramente. Só os velhotes.” É por isso que vai para Inglaterra. Já esteve noutros países da Europa, onde foi tratado com toda a dignidade e onde o seu talento foi reconhecido e espera regressar se a situação em que vive actualmente não se alterar. O facto de a Câmara de Lisboa ter mudado os pintores do Chiado para a R. Augusta teve consequências na venda das pinturas, segundo o pintor: “aqui em baixo não se vende nada. Foi a Câmara que quis arranjar dinheiro alugando este espaço.” Vieram para a Rua Augusta porque os comerciantes não gostavam deles nem dos amigos sem-abrigo que por lá apareciam. Com as mãos nos bolsos das calças e com o olhar a penetrar a calçada, Pedro Jesus faz o seu último desabafo: “nós somos tratados como tudo menos como artistas”. Do outro lado da rua está um homem muito alto, com o cabelo louro apanhado por um elástico e uns olhos muito azuis que revelam simpatia. Tem as mãos sujas de tinta em tons de azul e amarelo. Está a alinhar as suas telas para que todos as vejam, para que todos as comprem. Ali é o pintor que tem mais pinturas expostas. Tem uma autêntica banca muito bem arrumada. As paisagens são o seu tema de eleição. Lugares desconhecidos, de sonho, postais onde as cores se esbatem e formam universos magníficos. Konstantine Skrynnikov é um russo que chegou a Portugal há apenas um ano e meio. Apesar das dificuldades que tem com a língua portuguesa, sorri quando fala no país que o acolheu: “vim para aqui e quero ficar”. Foi na Rússia que estudou pintura, durante cinco anos, na universidade. Trabalhou a maioria do tempo como pintor, depois resolveu ir dar aulas durante três anos. Mas a crise que se faz sentir no seu país natal obrigou-o, aos 41 anos, a deixar a família e a vir para Portugal à procura de emprego. Gosta de estar ali, na rua, sentado numa cadeira a pintar, ao lado dos expositores, enquanto os potenciais clientes vão elogiando a sua obra. Por detrás destes pintores que tentam vender aquilo que de melhor fazem aos que, indiferentes e apressados, passam por aquela agitada rua, estão dramas humanos, histórias de pessoas que apenas vão sobrevivendo. Se há alguns artistas de rua que pintam a realidade em que vivem, as condições de sobrevivência que têm de ultrapassar todos os dias, outros pintam paisagens paradisíacas, como se procurassem uma morada.





NESTE NATAL DIZ O QUE SENTES!

Recebi por estes dias este texto num mail e apeteceu-me partilhá-lo.
Da Solidão
"A maior solidão é a do ser que não ama. A maior solidão é a dor ser que ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana. A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo, e que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro. O maior solitário é o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e de ferir-se, o ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo. Esse queima como uma lâmpada triste, cujo reflexo entristece também tudo em torno. Ele é a angústia do mundo que o reflecte. Ele é o que se recusa às verdadeiras fontes da emoção, as que são o património de todos, e, encerrado em seu duro privilégio, semeia pedras do alto da sua fria e desolada torre."
" in Para viver um grande amor, Vinicius de Moraes

13 dezembro, 2005

A SAGA CONTINUA...
Mais um jantar com os de sempre. E com os que não puderam ir ao último, dos noivados: o Sancho, o Pita, a Rita e o Zé Tó. Numa noite fria de Dezembro. Morada: casa da Vanda e do António, com vista para o mar. O cenário não podia ser melhor. O jantar também não. Lareira acesa, velas acesas, boa disposição acesa! Para variar. Quinta do Cabriz, mais uma vez em cima da mesa! Com a nova introdução do Marquês de Borba. Qual deles o melhor? Ninguém sabe. Por isso, convém experimentar os dois. Uma, duas, três, quatro vezes… As que forem preciso! Volta-se a falar do noivado, enquanto o chouriço estala junto à lareira. Com tanta lenha para se queimar há quem queira o apita o comboio e o barulho da prata dos serviços a bater nos copos de cristal! Mas a noiva Tita, apoiada pela noiva Andy, não quer. Mas casamento sem isso não é casamento, argumentam os outros. E a verdade é que já há muitas expectativas para a boda do ano: a qualidade do vinho, a safa do Pita (estou a torcer por ele) o bouquet (quem o irá apanhar?), o período nocturno do DJ (pagamento extra), a lua-de-mel dos noivos… E ainda se falou na pronúncia do sôr padre! Que é capaz de provocar alguma gargalhadas! Mas silêncio, que estamos na Igreja. Por falar nessa instituição agora de repente lembrei-me da Roménia. Não sei porquê… Mas parece que há quem tenha andado por lá a dar toques… Com o telemóvel, claro. Fala-se no reinado de D. Sancho III. Quando as saudades apertam não há distância que valha. Mas a verdade é que ninguém viu. E “coração que não vê não sente”… E as paredes infelizmente ainda não entendem romeno. Mas que houve toques… Lá isso houve! Por falar em toques… Há quem tenha tido algumas experiências traumatizantes, algures num poste dos Salesianos. Para quem não sabe um poste de electricidade é muito mais do que isso. Pode ser uma diversão. Mas cuidado com as brincadeiras. Pode-se apanhar uma valente descarga eléctrica ou até quiça uma descarga de… Bem, está provado cientificamente que muitos homens sofrem de infertilidade à custa do belo poste, que outrora servia para dar agitação aos intervalos das aulas. Depois de cinco garrafas e de muitos brindes, de queijinhos, de pasta de atum e de enchidos… Ainda veio um tabuleiro gigante com um fantástico bacalhau feito pela mãe da Vanda. Lá tiveram os estômagos de se apertar mais um bocadinho. Com muito prazer. O telemóvel toca, com a música sugestiva do genérico do sexo e a cidade. Quem é? Perguntam os mais curiosos enquanto vou atender. Mistério. Porque para mim tanto me faz que digas coisas boas ou coisas más! Toca outro telemóvel. É novamente o da Vanda. O inimigo do papá António volta a lembrá-la! Lá vai ela até à cozinha… As memórias vão falando mais alto e recordam-se as férias do Verão. Do sol quente do Algarve, dão bronzeado, da noite mais estrelada e mais animada de Portugal e da água de lavar a loiça que deu banho a muita gente. Não foi, Sr. Vargas? Há quem beba café para tratar dos fígados e há quem tem a sorte de se refrescar com água carregadinha de gordura e de detergente! É sempre bom desinfectarmo-nos das impurezas da noite! Foi na noite de Sesimbra que alguém ia tendo um encontro imediato de terceiro grau… Afinal, o noivo André disse que eles não sabiam brincar! Hora da sobremesa. Um strudel de framboesa com vários gelados. Era só mesmo o que faltava para continuarmos a dieta! Os noivos estão cada vez mais apaixonados! Olham-se com ternura e segredam aos ouvidos. Dos outros noivos o melhor é nem falar! Há olhares que revelam tudo. E eu sempre fui muito observadora! Outra gargalhada do António que ecoa na sala. E que nos contagia a todos. Mais uma chamada. Está na hora de me ir embora. Mas antes disso ainda sou sujeita a um interrogatório do meu cunhadinho e do Sancho. Muitas perguntas tinham eles para me fazer! A Luz já está à espera. Beijinhos e abraços a todos. Despeço-me deles e sigo para o carro. Deixo para trás uma noite muito animada. Com a garantia de que não acaba ali. Sei por fontes seguras que as garrafas de whisky e de Rum evaporaram. Deve ter sido com o calor que saía da lareira! De certeza. E parece que mal o anfitrião António se encostou às boxes começou a ouvir-se um certo ressonar… De onde é que viria?! Já na pista de dança encontrei o noivo Sérgio e o amigo Vargas. A noiva estava cansada e foi para a cama, qual bela adormecida! Eles portaram-se bem. Uma garrafinha de água salvou pelo menos um deles da… azia do jantar! Muita música e muita dança! Até à Love Generation, claro!Hoyve quem recebesse uma sms e ficasse contente... A noiva gosta de controlar! Depois, o corpo começou a dar sinais de cansaço e lá fomos para o carro. Primeira paragem – casa da Vanda. Beijinhos sonoros e sem ser sonoros em concurso! Na cara, obviamente! O Sérgio e o Vargas saem. Um deles mais fresquinho do que o outro. Não quero acusar porque já é da família! Despedimo-nos de uma noite que foi longa e grande… Em grande! Para não variar!

09 dezembro, 2005

DE VOLTA
As férias estão mesmo a acabar. Senti isso, quando voltei hoje à Casa. Foi estranho voltar à sala de trabalho e encontrar um espaço escuro e vazio. Os computadores estavam todos desligados bem como a aparelhagem e foi esquisiti não ouvir o som do bater dos dedos no teclado. Pela primeira vez percebi que o projecto tinha terminado. O meu primeiro projecto. Nem no dia em que escrevemos o último episódio senti isso. Talvez porque as férias se aproximavam e o entusiasmo camuflou outras emoções. Mas agora sinto. Completamente. E tenho pena. A vida daqueles personagens acabou ali. Ficou naquelas folhas. E custa um bocadinho dizer-lhes adeus. Afinal, cada um deles é um bocadinho de nós, que lhes damos vida. Cada um deles é um bocadinho daquilo que vemos, daquilo com que vivemos, daquilo que sentimos. E é por isso que custa tanto. Por outro lado, sinto-me feliz. Nunca hei-de esquecer aquele projecto. Não só porque foi o meu primeiro como também porque gostei imenso de poder contribuir um pouco para que ele fosse possível. E tenho a consciência de que dei o meu melhor. E sinto-me orgulhosa com o resultado. Eu e todas as pessoas que O escreveram, tenho a certeza. E é a elas que devo tudo o que aprendi. Que foi muito. Muito mesmo.
Vou sentir muitas saudades daquele Mundo, que também foi e continuará a ser nosso. Para sempre.

08 dezembro, 2005


Há histórias que merecem ser contadas. Esta é uma delas. E passou-se na cidade mais romântica do Mundo: PARIS!


Ela estava no comboio. Distraída, como sempre, a olhar para o placar com a informação das estações. Ele estava encostado à porta, a observar tudo e todos. No mundo dele. Ela sorriu para a amiga e disse-lhe que estavam atrasadas. Ele ouviu e também sorriu. Porque também estava atrasado para as aulas, porque aquele idioma lhe era familiar. Aproximou-se delas, sem receio. Começou a falar na mesma língua e ficou contente por ter encontrado alguém que o entenda. Elas sorriram e sentaram-se os três em dois bancos noutra carruagem. Ele fez as perguntas básicas e elas também queriam saber tudo sobre ele. Uma mais do que a outra. Elas iam para a Disneyland. Ele ia para a Universidade, que ficava no mesmo caminho. Ele era simpático, comunicativo. Tinha uns olhos verdes expressivos e um sorriso aberto. Ela também sorria. E a amiga estava atenta à conversa. Tiveram de sair do comboio para mudar de linha e ele esperou por elas. Atrasado por atrasado estava disposto a fazer companhia. E assim foi. Mudaram de linha e continuaram a conversa. Uma conversa de comboio, banal, igual a tantas outras que por ali se cruzam. Próxima paragem… Era a dele. Despediu-se cordialmente com a certeza de que se iriam encontrar na cidade durante aquela semana. E saiu sem deixar rasto. Ela arrependeu-se por não ter trocado contactos e percebeu que nunca mais o iria voltar a ver. Não sabia nada dele a não ser o nome, o vasto local onde ele morava em Paris e a sua cidade em Portugal. Mas lembrava-se dos olhos verdes e do sorriso rasgado. E lembrou-se dele durante a noite. Dois dias depois lembrou-se dele mais uma vez. E decidiu ir à sua procura. Lembrava-se de um nome de uma casa. Mas não tinha a certeza de que era a dele. A amiga achava que não era essa. Mas algo lhe dizia que era. Resolveu escrever uma folha com um recado para ele, o rapaz do comboio, do sorriso rasgado com pronúncia do Norte. Foi à residência que lhe soou melhor com outra amiga, a parisiense. E mal entraram na casa o recepcionista perguntou que papel era aquele. Ela ainda tentou disfarçar mas a amiga acabou por contar a história. A verdade. Ele ficou radiante e quis ajudar a desvendar o mistério, de imediato. Foi ver às listas todas e procurou o primeiro nome do rapaz do comboio. E lá estava. No quarto número quatro. Mas seria ele? É um nome comum. Bonito mas comum. O recepcionista acreditou que o tinha encontrado. E elas também. Uma mais do que a outra. O homem simpático lá insistiu para deixarem o recado na caixa do correio. Para além de afixarem o outro num placar do hall de entrada. E ela fez isso. Porque lhe apeteceu. Porque queria encontrar novamente o rapaz do comboio. Mas seria ele? Seria aquele nome o dele? Ela deixou-lhe o bilhete na caixa do correio, com o seu e-mail. As duas amigas foram-se embora. Uma mais esperançosa do que a outra.
Passaram dois dias e nada de mail. A caixa continuava vazia sem notícias do rapaz do RER. A casa não era aquela, de certeza. Aquele não era ele. Fizeram as malas e foram para o aeroporto, de regresso a casa. Ela lembrou-se dele. Mais uma vez. Sabia que não o voltaria a ver. Mas no dia seguinte, quando foi ver a caixa de correio electrónico ficou surpreendida com uma mensagem. Era o rapaz do comboio!!!
Em PARIS tudo pode acontecer!Mesmo que seja ficção...

04 dezembro, 2005


























PARIS... A CIDADE!
Foi ontem! A semana passou a correr, infelizmente. Ainda agora cheguei e já tenho imensas saudades daquela cidade. Saudades da Cité Universitaire, do nosso quarto, da nossa cozinha, da nossa confusão, dos longos passeios, da noite iluminada, do frio. Do frio. Do cheiro a croissant, a baguetes quentes e a crepes com nutella em Saint Michel! Tenho saudades de andar na rua, de sentir aquele vento gelado, e perder-me naquelas calçadas. Lá, queremos ver tudo. Porque tudo vale mesmo a pena. Os monumentos imponentes, como a Notre Damme ou o Sacré Coeur, que nos esmagam completamente. As ruas agitadas de Montparnasse e o silêncio de Montmartre, que nos conquistam em cada esquina. Dos museus, das ruas. Das ruas. Mas tenho sobretudo saudades do Sena. Daquele rio que se estende na cidade e sobre o qual foram construídas 24 fantásticas pontes. Cuja beleza é simplesmente indescritível. Sinto falta da música tocada no metro, das nossas gargalhadas no quarto e do nosso chazinho nocturno.
Lembro-me do dia em que visitámos a Dineyland. Nunca me vou esquecer da magia que senti. Que toda a gente sente. Parece que entramos na Terra do Nunca. O mais difícil é sair de lá.
Tenho saudades da Joaninha e da sua rabugice matinal. Da Tita e dos seus dramas românticos. E da Catarina e da sua energia. Durante uma semana fomos mais do que amigas. Fomos uma família. SAUDADES. Para o ano há mais. Ficou muito para ver... Aliás, para sentir. Paris não se vê... SENTE-SE!

24 novembro, 2005



DEBAIXO DE ÁGUA
São autênticos peixinhos dentro de água. Destemidos, na piscina, os bebés mostram que a natação é muito mais do que uma aula onde se aprende a nadar.

10h30. Sábado. Já se ouvem gargalhadas nos corredores de uma bonita e colorida vivenda em Cascais. Entra-se no Health Club e descem-se umas escadas que levam a uma espécie de túnel azulado, cujas paredes estão adornadas com tapetes em forma de animais- sapos, caranguejos, golfinhos- que transformam aquele corredor num verdadeiro oceano. Nos balneários, os bebés vão vestindo o mais depressa possível os minúsculos fatos de banho, com a ajuda dos pais. Junto à entrada para o recinto da piscina já está formada uma fila, que espreita ansiosamente através das duas janelas- que fazem lembrar dois gigantescos aquários.
A professora Margarida Cruz e o monitor Bernardo Crespo estão dentro de água, à espera das mães e dos pais que trazem os bebés ao colo. O azul turquesa dos azulejos da piscina mistura-se com as cores garridas dos brinquedos e dos colchões que vão flutuando na água.
A Ana Catarina tem quase dois anos e é um dos quatro bebés que vieram à aula. Pendurada no pescoço da mãe, a Catarina revela, com um sorriso, a vontade de entrar na água. Sónia Frasco resolveu pôr a menina na natação aos três meses de idade. Desde essa altura que Sónia começou a notar uma grande evolução na filha: “no andar, por exemplo, ela começa a mexer-se muito mais rápido e a ter outras defesas que não tinha. Quando cai levanta-se rapidamente.”
De mãos dadas à professora Margarida, a Ana Catarina prepara-se para mais um mergulho. “1, 2, 3!”, conta em voz alta a professora. Os estímulos sonoros constituem um dos elementos que se desenvolve com a prática desta actividade. “A partir da altura em que ouvem o «1,2,3» os bebés começam logo a fechar os olhos porque sabem que vão mergulhar”, comenta a professora.
Há 20 anos que Margarida Cruz dá aulas de natação. Mas foi em Madrid que se especializou em bebés. O seu olhar meigo, maternal, revela o gosto que tem ao ensinar nesta área tão difícil. “Não é qualquer pessoa que consegue estar a trabalhar com bebés. É preciso ter uma grande relação com eles. Gostar muito deles.”- confidencia a professora.
Dentro de água, cada bebé vai flutuando em cima de um colchão de espuma, que o jovem monitor Bernardo vai puxando. Do outro lado da janela, do gigantesco aquário, com as cabeças coladas ao vidro, estão dois homens e duas mulheres deliciados a observar os malabarismos dos filhos. O pai da Ana Catarina é um deles. O seu olhar cintilante persegue todos os movimentos da filha.
Para a professora Margarida Cruz, os bebés devem iniciar esta actividade aos três meses. É nessa altura que eles mais precisam de despender energia. Pois, nessa fase, as crianças “só comem e dormem”, refere a professora. É mesmo dentro de água que os bebés conseguem gastar a energia acumulada, movimentando-se de uma forma rápida. Nesta actividade são explorados vários aspectos como a coordenação dos movimentos, os estímulos sonoros e visuais e até a perda dos vários medos. Todos estes factores contribuem para que o bebé adquira uma maior autonomia.
Cada lição é um simples jogo de confiança em que as vitórias são celebradas ou com beijinhos ou com o gesto «dá cá mais cinco!», a que os bebés respondem com a pequenita mão levantada no ar
É na água que as emoções são exploradas. Mimos, gargalhadas, cumplicidades, que muitas vezes são esquecidos durante a semana, com a rotina e o stress do trabalho.
Em 30 minutos, professores, pais e bebés juntos numa aula de afectos.

19 novembro, 2005



CHRISTMAS IS ALL AROUND!

Santa Claus is Comming to Town!

18 novembro, 2005






Um Buffet : Várias mesas corridas, redondas, floridas, gigantescas, de braços abertos para aqueles que literalmente têm mais olhos que barriga. Ou talvez não!

Um casamento, um baptizado ou uma simples festa de aniversário são sempre bons argumentos para nos sentarmos à mesa com os amigos. E quando chega a altura de escolher o menu há sempre uma opção que agrada a todos: o famoso buffet!
É uma autêntica maratona! Cinco minutos depois de estar toda a gente sentada, os empregados dão o sinal de que os convidados se podem começar a servir. Saltam imediatamente das cadeiras e rasgam a pista de tartan, deslocando-se todos para a grande cascata de camarão. Primeira fila, primeiro engarrafamento! Com o prato na mão, eles vão rezando para que a sua vez chegue rapidamente e quando isso acontece, despejam energicamente o marisco e, não vá o diabo tecê-las, levam noutro pratinho mais meia dúzia de gambas.
Enquanto se ouve o alvoroço da corrida, do autêntico trânsito provocado pela gula, vê-se ao longe, no palco improvisado, um cantor que vai afinando o órgão. Minutos depois, começa a cantar aquele repertório- que de original tem pouco- e vai gritando umas notas que se perdem na multidão. Ninguém dá por a presença daquela estrela. Até podia ser a Madonna que ninguém a teria visto!
Mas isto de ir a um buffet tem muito que se lhe diga. Existe, de facto, uma filosofia desta arte que consiste exactamente em comer o máximo no mínimo de tempo. E a verdade é que existem verdadeiros profissionais dos buffets. Alguns até têm mestrado. Quando chega a altura de ir à mesa das sobremesas não há cá cerimónias! Como a tarte de morangos não sobrevive àquela gente toda o melhor mesmo é jogar pelo seguro. Leva-se a delícia encarnada, repleta de chantili, para a mesa. Inteirinha, que é melhor!
Depois dos digestivos, começamos a ver várias pessoas a deslocarem-se, amareladas, pálidas, até à casa de banho. Nem dá para acreditar: mais outro engarrafamento! Quando regressam às mesas há uma coisa que sobressai e que lhes é comum: o botão das calças ou da saia já não está aprisionado na casa. Ele agora pode mover-se e a braguilha também! Cuidado! Mas como ainda há muita coisa apetecível nas mesas e como no estômago sempre se arranja um espacinho e- se não se arranjar toma-se um kompensan- lá seguem todos novamente com os pratos na mão, atropelando-se, para as intermináveis filas, com o mesmo entusiasmo do início da festa.
Quando a hora da despedida se aproxima, muitas lágrimas vão caindo. Dá-se a última volta à pista, a de honra. Olha-se pela última vez para as mesas- que agora estão mais vazias e silenciosas- e pergunta-se ao empregado se não há caixinhas para levar os restos. Isso se eles não as tiverem já levado de casa!
Com tanto pecado mortal só nos resta mesmo dizer: bom apetite!


YOU'RE BEAUTIFUL...
It's true.



O céu está coberto por umas nuvens acinzentadas. O sol vai espreitando timidamente, de vez em quando. Abro a janela. Cheira a terra molhada e a café acabado de fazer. Oiço uma música de Craig Armstrong e lembro-te de ti. Do teu sorriso quase mudo, que se reflecte no olhar e me prende. Da tua timidez, que te esconde dos outros e que te esconde de mim. Por vezes. Mas eu gosto de pessoas misteriosas. É como se tivesse o desafio de desembrulhar um presente sem saber o que está lá dentro. Por cada pedacinho de papel que se vai rasgando o nosso espírito vai tentando adivinhar o conteúdo. E quem não gosta de surpresas? Eu adoro. Boas surpresas, claro. Que as outras não fazem falta. E tu és uma boa surpresa. Tenho a certeza disso. Porque a minha intuição raramente me engana. Porque o desejo de que sejas assim é tão forte como a vontade que tenho de estar perto de ti.
Tens o dom de me tornar menos racional e mais impulsiva. Desarrumas, arrumas e voltas a desarrumar a minha vida sem sequer teres noção disso. Confesso que sabe tão bem...
Hoje lembro-me de ti. Amanhã logo se verá.

11 novembro, 2005







PARIS...

Aí vamos nós!!! : )

TURN ME ON


I'm still waiting...


Like a flower waiting to bloom
Like a lightbulb in a dark room
I'm just sitting here waiting for you
To come home and turn me on
Like the desert waiting for the rain
Like a school kid waiting for the spring
I'm just sitting here waiting for you
To come on home and turn me on
My poor heart, it's been so dark since you been gone
After all, you're the one who turns me off
You're the only one who can turn me back on
My hi-fi's waiting for a new tune
The glass is waiting for some fresh ice cubes
I'm just sitting here waiting for you
To come on home and turn me on
Turn me on

(Norah Jones)

06 novembro, 2005



Quando o sol brilha...

Ontem à noite apeteceu-me ser jornalista. Apeteceu-me estar no lugar da Raquel Marinho, a fazer a grande reportagem sobre um campo de férias para crianças queimadas.
Arrepiei-me desde o princípio ao fim da peça. A maturidade daquelas crianças é simplesmente impressionante. Porque tiveram de crescer à força. Tiveram de deixar de ser crianças porque a vida lhes roubou todos os sonhos. Assim, sem mais nem menos. E vida, sobretudo as pessoas continuam a ser cruéis para elas.
Apesar de estas crianças serem iguais a todas as outras, os outros gostam de lhes mostrar e de lhes fazer sentir que são diferentes. Como se não lhes bastasse uma cicatriz no peito ou na cara estas crianças têm de enfrentar uma cicatriz, muito mais profunda, que lhes atravessa o coração. Mas o mais incrível é que elas já aprenderam a viver com isso e com muita esperança, que lhes tenta aconchegar a dor. Pelo menos durante aquele campo de férias, onde não há olhares furtivos, onde todos os meninos são iguais. Sem espaço para complexos.
No campo de férias, psicólogos e terapeutas fazem um esforço para construir o mundo de sonhos que eles não encontram fora daqueles muros. Ali, todos os meninos voltam a ser as crianças que adormeceram dentro deles. Ali todos os meninos voltam a ser a criança que um dia o fogo lhes roubou.

02 novembro, 2005

O JANTAR... O TAL!
Folhadinhos no forno. Mesa posta. Começam a chegar: Vanda, Rita e António, Tita e André. Tocam outra vez à campainha: Sérgio e Tiago. "Os de sempre" estão reunidos. Os de sempre e aqueles que costumam vir mas nem sempre se vêem... Roubam-se uns folhados, ainda bem quentinhos. A Joaninha? A Joaninha? Vão perguntando. Uns mais interessados do que outros... E lá chega a Joaninha, com o vento e com o cheesecake na mão. Salta a quinta do cabriz para cima da mesa que o frio vai pedindo. O frio lá de fora. Porque cá detro a temperatura vai subindo. Abram as janelas! Há olhares supeitos que se soltam da mesa. Homens para um lado. Mulheres para outro. Servem-se os pratos. E os copos! Mais uma e outra vez. Assunto tabu: os monstrinhos do Lockness (18) e o anel de Tita. Cuidado que pode vir no bolo, exclama o André!Outra fatia e nada de anel! Nem de pedido! Mais uma conversa e um intervalo de três segundos de silêncio - é o António que conta. Mais uma gragalhada.
Todos na mesa. Tempo de saborear um café. Tempo de saborear outra gargalhada. O Sérgio levanta-se e ajoelha-se em frente à minha maninha. Tira um anel do bolso, dentro de uma caixinha e tudo, e pede a Andreia em casamento! Apagam-se as luzes! Toca-se com a colherzinha no copo (que é sempre bonito) e a noiva fica de todas as cores. Sorri enquanto o noivo espera pela resposta. Brincadeirinha... Diriam os brasileiros... Mas deu que pensar. A noiva cansou-se de esperar pelas palmas e deu o beijo da praxe. Antes fosse... Mas os lábios carnudos só se tocaram numa mão, bem pequenita! Pena! Eu até gostava do meu cunhado. A pré-boda é interrompida pelo alarme. O inimigo do papá António lembrou-se de avisar a mãe Vanda. Ah, pois é! E outro telemóvel dá sinal. É o Sancho, que não pôde ir ao jantar... Mas recebeu a notícia do noivado pelo telefone. Confusão total! Pelos vistos não ficou animado com a bôda!
A Quinta de Cabriz começa a evaporar-se. Mais gargalhadas, mais parvoeira que assim é que é bom. As conversas começam a descer, quase a pique, como o vinho da garrafa. Pergunta-se o preço do viagra; fala-se no canal que ninguém tem nem vê; E o André ainda se lembra de que o pau de cabinda é para beber... Ainda bem que a hora vai mudar. Se pudessemos parar o tempo...
Toca novamente o telemóvel. Ninguém atende. Era o Pita. É o Pita! Conversas paralelas impede-nos de ouvir a conversa dele e a nossa conversa. Ninguém se entende. Toca a campainha e faz-se Luz, numa entrada triunfal. É das loiras que eles gostam mais. Renova-se o ar e o ambiente. Preparamo-nos para sair, que a noite ainda é uma criança e há mais uma hora! Uns querem ir para o vale ganhar a hora. Fala-se no Nessão. Há quem vá dormir com ele. Não acuso ninguém! Deixamos os noivos, os habitués e os mais ou menos do costume, rumo à pista. Deixamos a mesa e os sofás e o CD na aparelhagem. Encontramo-nos lá. Mais uma hora para aproveitar!
Afinal, este era aquele jantar! O tal!

But everybody thinks that everybody knows
About everybody else but nobody knows
Anything about themselves
Because they're all worried about everybody else

(Jack Johnson)

01 novembro, 2005

NOSTALGIA...

Hoje deu-me para a nostalgia. Todos temos os nossos momentos e hoje foi o meu. De repente dei-me conta de que a minha vida mudou. Deu uma grande volta. Acho que ainda não tinha parado para pensar nisso. Os anos passaram e eu não tinha dado por isso. Olhei para o meu quarto. Para as fotografias e elas mostraram-me como mudei. Eu e todas as pessoas que fazem parte do meu quarto, do meus placares, das minhas paredes. De mim. Já não parecemos os mesmos. Mas será que continuamos a ser quem éramos? Não sei. Há pessoas que continuam a seguir os meus passos, que continuam a partilhar o meu quarto, mas que já não fazem parte da minha vida. É estranho. Não sei porque é que as fotografias delas permanecem nos placares… Talvez porque sou uma pessoa que gosta de preservar o passado, nem que seja para o guardar dentro de uma pequena caixa… E observá-lo de longe… É verdade. Sempre tive dificuldade em desfazer-me das coisas. Das minhas coisas. Como se precisasse delas para seguir em frente. Continuo a ser assim. A minha vida é que mudou.

SEGUNDO, Maria Rita

Finalmente a cantora brasileira lança o seu novo albúm. "Segundo" acaba por ser um prolongamento da fantástica música a que a artista já nos habituou. Desta vez, numa perspectiva mais positiva da vida. Destaco os temas: Caminho das Águas, Ciranda do Mundo e Feliz.
Para quem não conhece, aqui fica um pouco do percurso de Maria Rita:
Tem um timbre perfeito, uma técnica irrepreensível e uma postura em palco que nos fazem recordar a diva brasileira. Maria Rita, filha de Elis Regina, descobriu a música cedo. Mas só aos 26 anos resolveu mostrar ao mundo a sua verdadeira vocação. Em 1999, deixou para trás o curso de Jornalismo, que estava a tirar nos Estados Unidos. Numa noite acordou assustada com a sensação de que tudo aquilo que estava a fazer não tinha sentido. A filha da Pimentinha resolveu, então, regressar ao seu país para cumprir o seu destino: ser cantora. Maria Rita Mariano demorou algum tempo a preparar o seu trabalho e sobretudo a preparar-se para enfrentar o público. Afinal, a tarefa não era fácil. A comparação entre Maria Rita e Elis Regina seria inevitável. Mas os brasileiros renderam-se logo aos encantos da artista. O CD lançado no final do ano passado, com o título Maria Rita, já é disco de platina. Há quem veja em Maria Rita a grandeza de Elis Regina. A diva brasileira deixou à filha entre muitas outras coisas, o modo dramático de cerrar os olhos nos tons agudos. Mas Maria Rita não se atreve a cantar temas interpretados pla mãe porque os considera obras-primas. Prefere ouvi-los para conhecer um percurso de vida que a deixou aos cinco anos de idade. Mais de 20 anos depois da morte de Elis, o Brasil lança uma voz que volta a preencher um espaço de culto na música. Mas Maria Rita é muito mais que filha de Elis Regina. É uma verdadeira força da natureza!