16 outubro, 2005

Sábado à noite. Jantar de 4 amigas, que já não se vêem há algum tempo. Lisboa. 21h15. Estacionamos o carro junto à Kapital. É impressionante ver aquele local, que costuma estar povoado de carros e de pessoas, deserto. Mal fecho a porta do carro da Joaninha deparo-me com uma cara suspeita, capaz de assustar a sua própria sombra. Não dizia palavra. Mas olhava-nos como se o nosso dever fosse dar-lhe uma moedinha. Mesmo que ele nem sequer um braço tenha levantado para nos ajudar na manobra. E se há coisas que me irritam são as obrigações. Por isso, dirigi-me à Vanessa e apertei-a num abraço, para dimunuir as saudades. A Joaninha ficou para trás e lá se viu obrigada a dar a moedinha ao fantasma. Só para ver se poupa mais um risco ao carro. Mais à frente estava a Carla. Mais beijinhos e mais abraços. Momento de decisão. Onde é que vamos jantar? A Joaninha lá se lembrou do Tachadas, que tem uma cozinha fantástica! Mas logo de seguida também se lembrou de que o cozinheiro grelha a carne e o peixe a um metro das mesas e como íamos sair depois do jantar... Não convinha irmos a cheirar a grelhados... Mas se eu soubesse o que sei hoje nem que fosse para o Garage a trasandar a entrecosto ou a sardinhas assadas.
Mas lá nos lembrámos do Cento e Doce, que era bem bom. E começámos a caminhar. Sobe rua, sobe rua, sobe rua. Cento e Onze e ... Nada do Cento e Doce. Terá fechado? Pelos vistos. E o nosso estômago continuava a reclamar. Caminhámos mais um pouco e descobrimos outro restaurante. O estranho é que nem me lembro bem do nome. Ou era Almerindo ou Almerino. Uma coisa desse género! Pareceu-nos uma tasquinha simpática e lá decidimos entrar. Tive a nocção de que éramos as Doce nos anos 80, tal eram os flashes! Mas tudo bem: uma loira, uma ruiva, outra morena, e uma de cabelo cor de castanha. Nada mal. Não fosse o restaurante estar cheio de homens de cabeça colada à televisão, a ver a bola. Vem o senhor, que até nem era mal encarado. Traz o pãozinho quentinho, as manteigas e uns pastéis. Começámos a atacar. Tal era a fome. Estudada a ementa chegou a altura de fazer os pedidos. Para a Joaninha, leitão; Para mim, espetadas de novilho com ananás; para a Vanessa, um bitoque com muitas batatas fritas; e, para a Carla, um bife com cogumelos. Chega o jarro de sangria. Mal dou um gole sinto o meu estômago a borbulhar. Aquele vinho... Nem para tempero! Mas com o açúcar até dá para enganar o fígado.
Chegam as travessas. Meu Deus! O leitão da Joaninha... Parecia uns pedaços de chispe mal cozido. As minhas espetadas até estavam boas... Não fosse o ananás estar azedo (latinha aberta há 15 dias...) O bitoque da Vanessa pedia por socorro a um nadador salvador. Os bifinhos da Carla... Estavam mais pálidos do que o mimo. E as nossas batatinhas fritas... Eram caseiras, sim senhor. E bem fersquinhas. Foi pena terem sido mergulhadas no óleo que vive há três meses na fritadeira... O que me valeu foi a bela da fatia de ananás natural que o senhor depois me trouxe. De facto, há males que vêm por bem!
Pedimos o mais depressa possível a conta e fomos embora. E prometemos nunca mais voltar. Para nosso bem e do nosso estômago. Lá descemos a rua e deparámo-nos com um espectáculo fenomenal. Em vez de vermos um cãozinho alçar a perna junto a um pneu deparamo-nos com um homenzinho em plena rua (via de circulação automóvel) a alçar a sua perninha...
Rumamos ao Cup & Cino. A bola invadiu o espaço e as mesas estão replectas de pessoas e de hinos futobolísticos. E agora, a sobremesa e o café? Precisamos de adoçar a boca. Andamos mais uns kms para apressar a digestão. Entramos no Túnel, ou seja, no Dragão. Mesas gigantescas equipadas a rigor. Encarnado e branco. Lá descobrimos uma mesinha, bem lá ao fundo e escolhemos a sobremesa. Muita caloria para compensar o jantar. Chega a Sónia, de sorriso nos lábios, como sempre. E chegam as belas fatias de bolo de chocolate. Hummm.... Mesmo bom! Até... O jogo ter terminado e o resultado ter sido 2-0 para o Benfica. Pois, o Sr. do restaurante, como bom lampião que é, foi buscar o lindo cd do Benfica e duarnte uma hora e tal fomos brindadas com aquela música. Não podia ter sido pior. Safaram-nos as conversas paralelas e cruzadas. Muitas. Os amigos. As amigas. O trabalho. As saudades. Toca o telefone. É a Pat a dizer que vai ter ao Garage com a Ana, porque o desfile está atrasado. Tenho saudades delas. Já não as vejo há mais de três meses.
Lá pagámos ao simpático ucraniano os bolos, os cafés, e os martinis e fizemos nós o troco. Porque ele já estava meio baralhado. Saímos e fomos buscar os carros para irmos até ao Garage. Com tanto azar lá tivemos a sorte de encontrar um lugarzinho à porta. Entramos. Vazio. subimos para o andar de cima. Chegam a Pat e a Ana com as pilhas carregadas. Como sempre. E chegam mais uns amigos. Ficamos na conversa, lá em cima, enquanto a pista se mantém vazia e envergonhada. Mais uma horinha e descemos. Com muita pilha. Vamos para a direita, corrente de ar. Vamos para a esquerda, Sibéria. Resolvemos ficar no epicentro da confusão, que é muito mais giro. Dançámos, dançámos, dançámos. A Joaninha ainda teve direito ao momento da noite: primeiro, leva com uma cerveja nas costas, depois, eu entorno-lhe o copo da vodka (sem querer) e num momento crucial... Era para ficares mais docinha! ; )
Enfim... Há noites que valem mesmo pela COMPANHIA! E esta foi mesmo uma delas!