30 dezembro, 2006

SADDAM

Acabei de ler a notícia de que Saddam foi executado às três da manhã, hora de Lisboa. Estou completamente chocada. Sempre mantive a esperança de que ele aprodrecesse na cadeia. Para mim seria o mais justo. Ninguém tem o direito de tirar a vida a outra pessoa. NINGUÉM! Mesmo que essa pessoa, neste caso o ex-presidente iraquiano tenha provocado a morte de centenas de pessoas. Porque ao estarmos a responder da mesma forma estamos a ser tão cruéis como ele foi. Será isso que queremos? Para quê? Devemos pagar sempre na mesma moeda? Discordo em absoluto. Sou completamente contra a pena de morte. Completamente. E um enforcamento? Mas afinal em que século é que estamos?
Estou desiludida. Os Estados Unidos e a Admistração Bush são o retrato mais arrogante e mais ditador daquilo a que se chama democracia. Bush tem sido tão ditador e tão terrorista como Saddam foi. Impôs a sua vontade de vingança a tudo e a todos. A maioria dos Estados (incluindo a União Europeia) estava contra a execução de Saddam mas Bush teve de levar a sua vontade avante.
Temo que este acontecimento proporcione uma escalada de violência ao nível global.

29 dezembro, 2006













The Holiday

Depois do Natal nada melhor do que ir ao cinema ver um filme que nos faz voltar a sentir a magia da época natalícia. Gostei imenso do filme. O argumento é muito engraçado e o produto final tem uma óptima qualidade. Quem gosta de comédias românticas não deve perder este filme, que nos faz pensar no amor e nas distâncias...

24 dezembro, 2006

FELIZ NATAL

23 dezembro, 2006


LOVE ACTUALLY IS ALL AROUND

Whenever I get gloomy with the state of the world, I think about the Arrivals Gate at The Heatrow Airport. General opinion´s starting to make out that we live in a world of hatred and greed - but I don't see that. Seems to me that love is everywhere. Often it's not particulary dignified, or newsworthy - but it's always there - fathers and sons, mothers and daughters, husbands and wives, boyfriends, girlfriends, old friends. Before the planes hit the Twin Towers, as far as I Know, none of the phone calls from the people on board were messages of hate and revenge - they were all messages of love. If you look for it, I've got a sneaking suspicion you'll find that love actually is all around...

http://youtube.com/watch?v=03CTpRexb2o&mode=related&search=love%20actually%20trailer

21 dezembro, 2006

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Há um ano estava a iniciar um projecto. Este ano o Natal marca o fim de uma longa caminhada de seis meses.
Tudo o que começa acaba. E o projecto chegou ao fim, com muita pena minha. Fico sempre nostálgica (e no Natal a situação agrava-se). Custa-me despedir-me das personagens. Custa-me saber que elas ficam ali no monitor ou no papel para sempre, que o percurso delas acabou. Pelo menos tenho a certeza de que nunca me irei esquecer delas. Este projecto foi um grande desafio, apaixonei-me por ele desde o início. Sinto que cresci ao longo destes seis meses e que aquelas personagens contribuiram muito para isso. Tive de crescer à força, de ganhar maturidade para vestir os problemas dos outros.
Saio deste projecto com uma certeza. Foi das coisas que mais gostei de escrever. Talvez por ter sido um texto duro, um texto cru, que exigiu muito de mim. De todos nós. Sinto que muitas vezes me superei a mim mesma.
Juro que vou ter saudades. Muitas saudades.

17 dezembro, 2006

Ontem fui fazer as últimas compras de Natal ao Chiado. Adoro aquela zona de Lisboa. Acho que nunca conseguirei viver na capital mas acho que se algum dia tivesse de viver lá, não tenho dúvidas quanto ao local onde me iria instalar. Haverá sítio mais bonito em Lisboa que o Chiado? Para mim não.
Ontem tive a sorte de ver uma animação de rua do Chapitô. Emocionei-me. Nesta época é muito fácil chegarem-nos as lágrimas aos olhos. Qualquer coisinha mais especial e a torneira liga automaticamente. Mas ontem foram as lágrimas de uma velhinha que contagiaram as minhas.
Durante a animação de rua, a velhinha de cabelos brancos, não desviou a atenção dos artistas. Nem por um segundo. Mal uma actriz se aproximou e viu os olhinhos brilhantes da velhinha não resistiu e abraçou-a. Olhei para a velhinha e vi naqueles olhos solidão. O natal só é bom para quem não está sozinho. Quem convive apenas com a sua sombra sofre ainda mais com esta época, que amplia os sentimentos: os bons e os maus.
Lembrei-me da sorte que tenho em ter uma família que torna o meu Natal a melhor altura do ano. É preciso ter muita sorte.

16 dezembro, 2006

ALL I WANT FOR CHRISTMAS IS... YOU

I don't want a lot for Christmas
There's just one thing I need
I don't care about the presents
Underneath the Christmas tree
I just want you for my own
More than you could ever know
Make my wish come true
All I want for Christmas is...
You

I don't want a lot for Christmas
There's just one thing I need
I don't care about the presents
Underneath the Christmas tree
I don't need to hang my stocking
There upon the fireplace
Santa Claus won't make me happy
With a toy on Christmas day
I just want you for my own
More than you could ever know
Make my wish come true
All I want for Christmas is you
You baby

I won't ask for much this Christmas
I don't even wish for snow
I'm just gonna keep on waiting
Underneath the mistletoe
I won't make a list and send it
To the North Pole for Saint Nick
I won't even stay awake to
Hear those magic reindeers click
'Cause I just want you here tonight
Holding on to me so tight
What more can I do
Baby all I want for Christmas is you
Ooh baby
All the lights are shining
So brightly everywhere
And the sound of children's
Laughter fills the air
And everyone is singing
I hear those sleigh bells ringing
Santa won't you bring me the one I really need
Won't you please bring my baby to me...

Oh I don't want a lot for Christmas
This is all I'm asking for
I just want to see my baby
Standing right outside my door
Oh I just want you for my own
More than you could ever know
Make my wish come true
Baby all I want for Christmas is...
You

All I want for Christmas is you... baby

10 dezembro, 2006

Empresário ou Relações Públicas?
Hoje estive a ver um programa sobre o panorama da socialite portuguesa. Foi meia horinha bem passada, pelo menos consegui fazer esta reflexão.
É incrível a quantidade de Relações Públicas e de Empresários que há em Portugal!Ficaria muito feliz se assim fosse. Provavelmente estaríamos a dar uma lição de produtividade ao resto da Europa... Mas não é isso que acontece. Muito pelo contrário.
Ao menos podiam utilizar outras profissões para esconder o termo "doméstica", "reformado" e "desempregado" ou simplesmente assumam de uma vez por todas que são "dolce fare niente" e que vivem dos rendimentos! Qual é o problema?! Por que é que num país de desempregados toda a gente quer ser empresário ou relações públicas?! O mais engraçado é que nunca se percebe bem qual é o ramo do negócio... É sempre uma questão que nunca deve ser abordada. Um verdadeiro tabu!
Enfim... Aprende-se muito com este tipo de programas. É um grande estudo sociológico.
Adoro o meu país e tenho imenso orgulho em ser portuguesa... Mas são estas coisas que tornam os portugueses muito pequeninos...

07 dezembro, 2006











Para Recordar

06 dezembro, 2006

London City

Quatro dias. Pouco tempo. Ou melhor, muito pouco tempo para ver a maior cidade da Europa. Mas valeu a pena. Adorei a cidade, rendi-me completamente à sua diversidade. Desde a vida agitada das multidões que enchem no metro, nas ruas, em cada canto da cidade, aos teatros e museus que nascem por todo o lado... Se fechar os olhos ainda ouço o som dos violinistas do Covent Garden, ainda sinto o cheiro das frutas frescas do mercado de Notting Hill, ainda sinto o vento gelado que nos tocava na pele cada vez que caminhávamos. Lembro-me das luzes que invadem, nesta época, a cidade. Lembro-me da multidão enfurecida que percorria Oxford Street, à procura do melhor presente de Natal. Do imponente Palácio de Bukimgham, da London Bridge que atravessa o Tamisa e da roda gigante que nos faz imaginar a deslumbrante vista da cidade, perto do céu. Fiquei deslumbrada com o Museu de História Natural (como é que a entrada é possível ser gratuita?!). É magnífico! Também gostei muito de ir ao Madamme Tussaud. Ás vezes confundia os bonecos de cera com pessoas. Ainda estou à espera da minha fotografia com o George Clooney, dona Van!E o Christian!!! Nunca vi um concierge tão bem disposto. Apesar de o hotel estar um bocadinho torto, de abanar um pouco, a simpatia dos empregados compensou tudo o resto!
Tenho saudades. Por mais que tentemos aproveitar o tempo ao máximo ficamos sempre com a sensação de que faltou qualquer coisa...
Sinto falta da companhia. Os dias foram intensivamente vividos e isso só fez com que a nossa amizade crescesse ainda mais. É bom ter amigos assim. : )
Onde é a próxima paragem?

23 novembro, 2006

20 novembro, 2006

É OFICIAL!

Na minha casa já entrou o Natal. Eu e a minha irmã estivemos, ontem, a tarde inteira a montar a árvore. A minha mãe dedicou-se ao resto da decoração da sala. Ficou linda! Amanhã mostro as fotografias!

18 novembro, 2006






Aqui ficam duas sugestões para
ler ou para oferecer no Natal.

Sobre o Alice
Criei imensas expectativas sobre este filme. A crítica foi muito positiva e até há a possibilidade de ser nomeado para o óscar de melhor filme estrangeiro. Vi-o na semana passada. O argumento é brilhante, a fotografia do melhor que já se fez em Portugal, a banda sonora do Sasseti é arrepiante, a interpretação de um dos meus actores favoritos, o Nuno Lopes, é de gigante. Este filme tinha tudo para ser uma obra-prima do cinema português mas, na minha opinião, não é. Porquê? Há muitos tempos mortos (percebo que provavelmente o realizador teve a intenção de transmitir ao público o vazio e o silêncio que invade a vida de um pai que perde um filho), há falta de diálogos e de interacção entre os personagens (e é uma pena, visto que estamos perante um elenco de luxo), de ritmo (imagino que um minuto na vida do Mário demore uma eternidade, mas mesmo assim...), e o final acaba por ser muito frustrante. Não sou a favor dos finais sempre felizes (o do Alice representa bem a realidade, é verdade- há muitas crianças que desaparecem e não deixam rasto) mas depois daquela espera toda, depois de estar ali colada ao ecrã, mais de uma hora e meia, à espera de que o Mário encontre a Alice... Não acontece nada. Eles cruzam-se... A criança vê o pai mas ele não a vê. Exactamente no dia em que ele decide parar de a procurar.
Tenho de confessar que me senti muito frustrada quando o filme acabou. Muito frustrada.

11 novembro, 2006

AMANHÃ
O SOL NASCE OUTRA VEZ



09 novembro, 2006






LONDON... Quase, quase!!!


Uma semana de mudanças


Depois de estar a trabalhar em casa há mais de seis meses a minha rotina mudou completamente. Agora o meu escritório já não é a minha casa. A distância para trabalhar é bem mais longa do que aquela que percorria todos os dias, do meu quarto para o escritório. O almoço também deixou de ser cozinhado por mim. O que vale é que já descobrimos umas tasquinhas fantásticas. Agora o meu dia começa muito mais cedo (Porque decidi enfiar-me num ginásio e às oito e meia da manhã já estou a nadar), percorro a marginal, sinto a tranquilidade do mar, até chegar a Lisboa. Mas quando me meto no carro para voltar para casa a lua já espreita. O silêncio da minha casa, muitas vezes interrompido por música, foi trocado pelas insuportáveis buzinas dos automóveis.
Gosto de trabalhar com pessoas, gosto de estar com pessoas, preciso de estar com pessoas. Ás vezes o trabalho de escrita é demasiado solitário.
A verdade é que nestas mudanças todas o que mais me custa é a distância que separa o escritório da minha casa...
Mas a vida é mesmo assim.
E o ser humano vive de hábitos... Hei-de conseguir criar a minha nova rotina.

03 novembro, 2006


Desilusão...
Mal li a sinopse deste filme fiquei logo com vontade de o ir ver. Várias histórias de amor retratadas em Paris... Vistas através do olhar de vários cineastas! Ideia comprada! Adorei!
Ontem foi a estreia e resolvi ir logo vê-lo, ao Vasco da Gama. Nem o temporal me dissuadiu de ir até Lisboa. Duas horas depois a desilusão apoderou-se de mim. Saí do cinema completamente desiludida.Eu, desiludida, a Joana ensonada.
Um filme chato, composto por várias curtas, muitas delas que não me provocaram qualquer sensação. Haverá pior coisa do que a indiferença? Um filme que facilmente vou esquecer porque não me marcou nada. Ficaram apenas as bonitas paisagens de Paris (sempre deu para matar saudades), a banda sonora e o desempenho de alguns actores de que tanto gosto (Nick Nolte, Natalie Portman, Juliette Binoche, Gerárd Departieu...).
Continuo sem perceber porque é que uma curta-metragem, na generalidade, tem de ser pseudo-intelectual, vazia de nexo...
Enfim...
Apesar de tudo, continuo a adorar PARIS!

31 outubro, 2006

Chovia torrencialmente.
O céu nublado pairava sobre a cabeça, pesado. Ele entrou no metro, descalço. Trazia um sobretudo de fazenda, preto, e um jornal na mão. Sacudiu a chuva que lhe molhou o cabelo e sentou-se num lugar lá à frente. Tirou os óculos do bolso descosido pelo tempo e começou a ler o jornal, cujas letras já estavam esbatidas. Na paragem seguinte entrou ela. Sentou-se deliberadamente ao lado dele, no meio da multidão. Sentiu um cheiro nauseabundo e nem por um segundo desviou o olhar daqueles olhos castanhos, cor de mel, gastos pelas lágrimas. Ela tinha vinte anos e um ar discreto, usava um cabelo escortanhado, da cor de corvo, com uma franja comprida, que quase lhe escondia as sobrancelhas. Usava uns sapatos bicudos, com o salto muito alto, que enganava o seu metro e sessenta. Ela pediu-lhe lume e ele nem lhe respondeu. Levantou-se do lugar e foi procurar outro, mais atrás. Ela levantou-se e seguiu-o. Tocou-lhe delicadamente no braço e pediu-lhe com mais gentileza. Ele olhou-a de uma forma rude e grunhiu que não fumava. E se estavam no metro ela não podia mesmo fumar. Ela riu-se na cara dele, com gozo e desprezo. Ele sentiu-se humilhado e atirou-lhe com o jornal. Amaldiçoou-a. Ela riu-se ainda mais alto e ele correu para fora do metro. Ela seguiu-o outra vez. Ele começou a caminhar muito depressa, quase a correr, mas o chão da estação estava escorregadio e os pés dele também. Ela puxou-lhe o casaco e agarrou-o com determinação. Ele foi vencido pelo cansaço de uma vida infeliz. Olharam-se nos olhos. Ela sorriu em vez de rir. Ele não percebeu e recusou-se a perceber. Ela chamou-o pelo nome: Leonardo. Os olhos dele brilharam de imediato. Nunca ninguém o tinha chamado pelo nome. Ficou confuso, mas sobretudo assustado. Ela pegou-lhe na mão. Disse-lhe que ia tratar dele. Prometeu-lhe que não o ia abandonar… Como ele um dia abandonou a mãe dela. Ele começou a chorar, como uma criança indefesa, deixou-se cair lentamente no chão, ficando em posição fetal... “Isabel”, gritou ele, bem alto. Ela sorriu, rendida ao sofrimento do pai, que acabara de conhecer: “Sou eu”.

30 outubro, 2006



Finalmente a fotografia! Quando se tem uma surpresa destas... Como é que é suposto ficar? : ))))))))))))))))))))))))))) Foi assim que fiquei. Falta a fotógrafa - Maninha!

29 outubro, 2006

Postais
Hoje recebi um directamente de Viena de Áustria. É das coisas que mais gosto de receber. Tenho muitos, quase uma colecção (todos escritos, mandados por correio ou entregues pessoalmente) Trazem fotografias, imagens, cheiros, cores, frases que fazem parte de alguém que me conhece bem. Olho para a minha caixa, repleta de postais (de viagens, de aniversário, de ocasiões especiais,pessoais), e sinto que aqueles bocadinhos de papel, de fotografias, são muitos mais do que simples mensagens das pessoas que estão longe... Quem os escreveu gastou algum tempo a pensar em mim. Quis partilhar alguma coisa comigo. Isso deixa-me muito feliz.
Os postais diminuem as saudades.
Adoro ir ao correio e ter um postal à minha espera! Também adoro escrevê-los e surpreender alguém...

26 outubro, 2006

Má sorte ou Azar?

Ontem o computador entrou em colapso...
Hoje a bateria do carro foi ao ar...
Nem quero pensar no que pode acontecer amanhã.

22 outubro, 2006


NOSTALGIA

Outro dia fui a um bar e imaginem o que é que estava a dar nos plasmas? As aventuras do nosso amigo e inesquecível Tom Sawyer!!! Fiquei vidrada no ecrã! Já tinha saudades de ver o rapaz do Mississipi.
Ainda ontem vi um anúncio à colecção de DVD'S do Tom Sawyer... O nosso amigo está de volta! Os produtos bons, de qualidade, nunca passam de moda!
Quando vejo o tipo de desenhos animados que as crianças de agora vêem até fico revoltada... Não há comparação! Voltem Tom Sawyer, Ana dos Cabelos Ruivos, Dartacão, Ursinhos Carinhosos, Bocas...
Aqui fica a recordação de letra da música do genérico de um dos melhores desenhos animados que já passaram na televisão portuguesa:

Vês passar o barco
rumando p’ró o sul
Brincando na proa
gostavas de estar
Voa lá no alto
por cima de ti
um grande falcão
és o rei és feliz
E quando tu
vês o Mississipi
tu saltas pela ponte
e voas com a mente
Nuvens de tormentas
Estão sobre ti
Corre agora corre
e te esconderás
entre aquelas plantas
ou te molharás
E sonharás
que és um pirata
tu... sobre uma fragata
tu... sempre à frente de um bom grupo
de raparigas e rapazes
Tu andas sempre descalço, Tom Sawyer
junto ao rio a passear, Tom Sawyer
mil amigos deixarás, aqui e além
descobrir o mundo, viver aventuras

20 outubro, 2006

Os dias cinzentos transcendem-me.
Não nasci para isto.

19 outubro, 2006

Does Mark Darcy exist?

17 outubro, 2006

A felicidade exige valentia.
"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes mas, não
esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo, e posso evitar que ela
vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios,
incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos
problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no
recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter
medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para
ouvir um "não". É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."
(Fernando Pessoa)

Obrigada, Sarita.

16 outubro, 2006

Peter Pan on ice

Ontem fui ver o espectáculo da companhia Holiday on Ice, com a minha irmã... ADOREI! E ela também. Fez-nos recordar a infância. De repente, durante duas horas fui levada pela cor, pela música e pela magia da história do Peter Pan.
Estavam a assistir imensas crianças, muito entusiasmadas, a quererem saber tudo. Quando tiver filhos vou adorar levá-los a ver estas coisas.

14 outubro, 2006


Gosto de ir a casamentos de
apaixonados.
Quando se vê nos olhos que eles se pertenciam. Desde sempre. Que embora tenham andado por caminhos diferentes acabaram por cruzar o mesmo. Porque tinha de ser. Como a força de um íman, atraindo um ao outro.
A Rita e o André casaram-se. E o António e a Vanda também. Fico muito feliz porque gosto muito deles e acho que se encontraram definitivamente. Um ao lado do outro. Pertencem-se, para sempre. De dois passaram a ser um. Um pelo outro. Como já eram, muito antes de se casarem.
Ser testemunha de amores assim é um privilégio. Num mundo tão labriríntico ainda há quem encontre o seu caminho... Sem procurar. Porque é o amor que nos apanha e nos empurra. Não somos nós que o procuramos.
Que os recém casados sejam muito, mas mesmo muito, felizes.
By the way... Quem serão os próximos?
Encontrar.
Foi impossível encontrarmo-nos. Há tanta gente. O mundo é tão grande. Os nossos caminhos são tão difícieis. Tudo está contra nós. Foi impossível encontrarmo-nos. Mas encontrámo-nos. Pela primeira vez. Contra as vezes que estivemos longe de nos conhecermos. E contra as vezesem que nos cruzámos sem nos vermos; se é que alguma vez nos cruzámos. O que interessa isso agora? Contra todos os contras, encontrámo-nos.
"Um dia hei-de encontrar..." assim começam quase todos os sonhos de amor e esperanças de amizade. Quem assim sonha, já está meio derrotado, já está meio desiludido, porque, em vez de esperar pelo encontro que deseja, já está a procurar. Imaginando parcialmente a pessoa que quer encontrar, como se ela já existisse, com as medidas que o coração encomendou, está a fechar-se em si mesmo. E assim se fecha também ao mundo.
Um encontro só pode ser puro e pleno quando é livre e inesperado. Não pode ser condicionado por expectativas. Tem de começar do nada. A pessoa que se encontra tem de ser desconhecida para, a pouco e pouco, se poder conhecer e amar. O encontro de duas pessoas só se torna um encontro de almas se ambas estiverem abertas uma para a outra. Mesmo o maior amor não impede as almas contrárias de se magoarem. É por isso que têm de se conhecer profundamente; para se aceitarem como são, sem exigirem uma à outra o que não têm, nem são, nem querem vir a ser. Duas almas só se dão em amor quando uma e outra aceitam tudo o que a outra lhes dá. Incluindo o que não querem.
O amor é um perpétuo encontro, em que cada encontro quer ser o último; aquele que nunca mais separará os amantes, mas depois não vai além de ser a continuação, pequenina, mas querida do primeiro.
Em cada encontro as almas têm de procurar, sobretudo conhecer-se.
Encontrar é, ao mesmo tempo, juntar e opor, abraçar e empurrar. As contrariedades são essenciais- à curiosidade, à atracção ao desejo (por mais espúrio que seja) de superá-las. É através delas, as diferenças, que se estabelece a distância entre um e outro, sem a qual não pode haver amor. Quem ama alguém ama por quem é.
O amor não é um fim nem um meio - é uma condição. É por isso que o verbo amar é o que mais se parece com encontrar.
(Miguel Esteves Cardoso)
Gosto muito desta crónica. Encontrar é muito mais difícil do que procurar!

12 outubro, 2006


COMEÇARAM OS TREINOS!

E este ano vai ser puxado! O professor é exigente.

09 outubro, 2006


Fim-de-semana maravilha...

Ir. Matar saudades. Conversar. Conversar. Sentir. Ver o mar. Perseguir
as ondas. Petiscar. Rir. Recordar. Viver. Voltar.

06 outubro, 2006

SAVE ME
You look like a perfect fit
For a girl in need of a tourniquet
But can you - save me
Come on and - save me
If you could - save me
From the ranks of the freaks
Who suspect they could never love anyone
'Cause I can tell
You know what it's like
The long farewell
Of the hunger strike
But can you save me
Come on and save me
If you could save me
From the ranks of the freaks
Who suspect they could never love anyone
You struck me down like radium
Like Peter Pan or Superman
You will come to save me
C'mon and save me
If you could save me
From the ranks of the freaks
Who suspect they could never love anyone
'Cept the freaks
Who suspect they could never love anyone
But the freaks
Who suspect they could never love anyone
C'mon and save me
Why don't you save me
If you could save me
From the ranks of the freaks
Who suspect they could never love anyone
Except the freaks
Who suspect they could never love anyone
Except the freaks who could never love anyone
(Amiee Mann)

03 outubro, 2006


ONTEM. Estreei-me esta época em Alvalade. Não podia ter corrido melhor. Vitória do SPORTING e derrota do Porto! Este ano vou ser mais assídua!

01 outubro, 2006


Fazes-me falta


OUTUBRO

Começou da melhor maneira. Nada como sentir o vento do Guincho na
cara. Ai, aquele cheirinho a maresia... Recarrei baterias - estava a precisar.

28 setembro, 2006


1 ano...
O sextosentidos nasceu há exactamente um ano...
Nem sei bem o que me fez criá-lo. Talvez tenha sido a necessidade de partilhar as minhas coisas, comigo e com os outros. De abrir uma janelinha da minha vida, e de escrever. Escrever. Para mim sempre foi mais fácil escrever do que dizer. Não sei explicar porquê. É assim e pronto!
Este blog é muito de mim. Um pedaço da minha vida, daquilo que me faz rir ou chorar, das pessoas de quem gosto, está tudo aqui, neste cantinho. São as minhas recordações que em vez de estarem fechadas numa gaveta estão aqui.
Não sei quanto tempo é que o blog vai durar. Mais um dia, mais um mês, mais um ano, não sei... Porque para mim este blog só faz sentido enquanto for sentido... Enquanto for o meu sexto sentido!
Beijinhos para todos os que me lêem.

25 setembro, 2006

Tenho saudades da praia

22 setembro, 2006

Jura

Jura que não vais ter uma aventura
Dessas que acontecem numa altura
E depois se desvanecem
Sem lembrança boa ou má
E por isso mesmo se esquecem
Jura que se tiveres uma aventura
Vais contar uma mentira
Com cuidado e com ternura
Vais fazer uma pintura
Com uma tinta qualquer
Que o ciúme é queimadura
Que faz o coração sofrer
Jura que não vais ter uma aventura
Porque eu hei-de estar sempre à altura
De saber
Que a solidão é dura
E o amor é uma fervura
Que a saudade não segura
E a razão não serena
Mas jura que se tiver de ser
Ao menos que valha a pena

(Carlos Tê/Rui Veloso)

Esta música é linda.

19 setembro, 2006


Já é tarde... Muito tarde. Mas tinha de esvaziar o turbilhão que sinto dentro de mim antes de ir para a cama.
Vim agora da estreia. Já está! A ansiedade que senti ao longo destes três meses de trabalho esfumou-se. Deu lugar a uma grande tranquilidade. Gostei do que vi. Gostei muito. E gostei ainda mais do que senti. É tão bom quando o nosso trabalho é reconhecido. É tão bom chegar, através, de palavras ao coração das pessoas. É tão bom quando nos vêm dizer isso só porque querem dizer, só porque querem agradecer. Felizmente esta noite foi uma constante. Este projecto só foi possível porque está ali uma grande família a trabalhar para que o resultado final seja o melhor. Sinto que estamos no caminho certo. Estou muito realizada. Sinto-me muito orgulhosa por pertencer àquela equipa, por saber que as pessoas acreditam em nós e no nosso trabalho.
Seja qual for o resultado final estou a adorar fazer parte deste projecto, onde se investe muito no texto. Tenho aprendido muito. ESTOU MUITO FELIZ.
Obrigada à minha siamesa e ao J. Parabéns pelo trabalho! ; )

18 setembro, 2006

É HOJE !!!

Espero que corra tudo bem. Juro que espero.

13 setembro, 2006


"Três gerações de mulheres sobrevivem ao vento quente, ao fogo, à loucura, à superstição, e até mesmo à morte, à base de bondade, de mentiras e de uma vitalidade sem limites.
São elas Raimunda (Penélope Cruz) casada com um operário a viver do subsídio de desemprego e uma filha adolescente (Yohana Cobo), Sole (Lola Dueñas), a sua irmã, que ganha a vida como cabeleireira, e a mãe de ambas (Carmen Maura), morta num incêndio, juntamente com o marido.
O fantasma de Carmen regressa à terra para ajudar primeiro a sua irmã (Chus Lampreave) e depois a Sole, embora com quem tenha deixado importantes assuntos pendentes tenha sido com Raimunda e com a sua vizinha da aldeia, Agustina (Blanca Portillo).
Tudo isto é só o início de uma história tão complexa quanto simples, tão comovente quanto terrível.
Uma comédia dramática que se situa num terreno bem familiar para Almodóvar, o universo feminino e as suas complexidades. "
Para o realizador, "este filme marca o meu regresso mais profundo às raízes, é uma reconciliação com elas, o que me surpreendeu, porque nunca fui um militante das recordações. E é um regresso sobretudo à infância, porque a minha raiz mais profunda de todas é a minha mãe."
Depois digo se gostei ou adorei. O Almodóvar nunca me desilude.

09 setembro, 2006


11 DE SETEMBRO DE 2001... O que é que, de facto, aconteceu?
O Mundo mudou. Disso não há dúvidas. Passámos para a Era do Terrorismo, do medo, da insegurança. Vivemos numa constante guerra entre ocidente e mundo árabe, numa luta entre o suposto bem e suposto mal.Numa guerra de desconfianças, de medos, de pressão.
Lembro-me perfeitamente daquele dia. Estava a almoçar em casa, com a minha família. A televisão estava ligada no telejornal da SIC. O Paulo Camacho deu a notícia de que um avião teria embatido contra uma das Torres Gémeas. Nesse preciso momento, em que ele estava a dar a informação, vi, em directo, o embate do segundo avião, atingindo a outra Torre. O jornalista denunciou logo que estávamos perante um atentado terrorista, afastando de imediato a ideia inicial de que teria sido um acidente. Foram dias e semanas terríveis. A cada momento passaram na televisão imagens das vítimas, do embate dos aviões, da destruição, do medo, do pânico. Há caras de que nunca me hei-de esquecer.
Nesse mesmo dia, foram noticiados mais dois ataques contra os EUA. Um avião (voo 93) teria sido sequestrado por muçulmanos mas os heróis amercicanos, os passageiros teriam conseguido desviar o voo, impedindo-o de embater contra a Casa Branca. Supostamente o voo caiu algures, na Pensilvânia.
Ao mesmo tempo, um avião embateu contra o Pentágono... Mais precisamente contra a zona do arquivo e da biblioteca.
A América transformou-se no caos. E o resto do mundo foi atrás.
Já passaram cinco anos. E ainda estamos longe de saber a verdade. Esta semana tive a oportunidade de ver vários documentários sobre o 11 de Setembro. Várias teorias foram expostas.E eu continuo na dúvida. O que é que esteve por detrás daqueles terríveis actos? Acho que nunca se vai encontrar uma explicação.
Vi um documentário que nada tinha de sensacionalista, do género Michael Moore, mas sim um documentário sério, baseado em provas institucionais e no relatório da Comissão do 11 de Setembro.
Falava-se no voo 93 que estranhamente se despenhou na Pensilvânia... Não tendo sido encontrados nenhuns vestígios da queda do avião. Nem caixa negra, nem cadáveres (ainda que carbonizados). Absolutamente nada. Os próprios habitantes da zona onde supostamente o avião caiu disseram que não deram por nada, nem ouviram nada. Os especialistas que andaram no terreno comentaram que apenas encontraram uma cratera com cinco metros de cumprimento, coberta de entulho (que parecia ter sido lançado do céu propositadamente). Ainda é de realçar os telefonemas gravados, chamadas que supostamente os passageiros fizeram para os seus familiares. O mais inacreditável é o de uma hospedeira, que informa os serviços da American Airlines. Diz que o avião foi tomado por terroristas e que há dois homens esfaqueados e que não con seguem entrar no cockpit. O mais estranho é o tom da voz da hospedeira. Estar ali no avião, perante uma situação aterradora ou estar no sentada numa esplanada do café era exactamente a mesma coisa. Mais descontraída é impossível. O mais curioso é que nesse dia o voo 93 aterrou noutro lado, julgo que em Newark, às 10h35. As famílias dos passageiros foram obrigadas a não fazerem comentários acerca do incidente. E a caixa negra do avião parece ter sido dada como destruída ( as caixas negras são feitas com o material mais resistente do mundo, exactamente para ficarem intactas em qualquer condição).
Passemos ao atentado ao Pentágono. Sabemos que o embate foi no mínimo cirúrgico: pois a zona que atingiu foi a da Biblioteca e a do Arquivo. As imagens que foram registadas no Hotel Hilton foram de imediato confiscadas pelo FBI. Mas os trabalhadores do hotel ainda as conseguiram ver: e nada de avião... Provavelmente um míssil certeiro, que conseguiu destruir vários documentos que podiam prejudicar a Administração Bush.
Dos terroristas, sequestradores dos aviões, sabe-se que muitos deles estão vivos e de boa saúde. Uns na Arábia Saudita, outros na Jordânia, outros no Egipto...Pelo menos foi o que o documentário anunciou. Será que é verdade?
Na minha opinião, a verdade é que estes atentados trouxeram muitos benefícios para a economia americana:
- Na parte subterrânea do WTC estavam guardadas milhares de barras de ouro; Demolir um edifício daqueles sai muito mais caro do que o destruir, ainda para mais quando essa destruição trás outras regalias;
- O proprietário do WTC ganhou biliões de dólares em indemizações e seguros;
- George W Bush conseguiu conquistar a confiança dos americanos e ter a desculpa de que precisava para impôr novamente a América como a maior potência do Mundo;
- Os EUA ganharam o passaporte para invadirem os países que podiam trazer benefícios à sua economia: Afeganistão, Iraque...
- Bush conseguiu pôr a trabalhar novamente a máquina de guerra: afinal um país que investe tanto no exército e na marinha tem de rentabilizar esse investimento.
A comissão do 11 de Setembro nunca chegou a uma conclusão. O relatório não é claro.
Enfim... Cada um que pense com frieza no que aconteceu naquele dia fatídico para milhares de pessoas.
A verdade é que milhares de pessoas perderam a vida naquele dia fatídico. Pessoas inocentes... Muitas delas perderam a vida sem se aperceberem o que se estava a passar.
Cinco anos depois do daquele dia terrível, a única certeza que se tem é a de que o mundo mudou e nunca mais vai voltar a ser o que era.

02 setembro, 2006

Carta de Personalidade

Recebi isto no dia do meu aniversário, sobre a minha personalidade. Achei piada...
Cautious, prudent, and rather self-contained, you are a person who approaches life realistically and who is not inclined to take foolish chances or get carried away by the overly optimistic or idealistic schemes of starry-eyed dreamers. In fact, you frequently have a jaundiced view of such things. You are rather worldly-wise at a fairly young age, even something of a cynic. Often the world doesn't seem like a safe, friendly place to you, and you tend to approach life in a guarded, conservative manner. You are generally calculating and careful, and are rarely spontaneous, fluid, open, and childlike.
At heart you are modest and humble, and you rarely strive to be in the limelight or in a position of power. You have a sharp analytical mind, a keen eye for detail, and you prefer to observe, dissect, and study life from a distance. Conscientious and conservative, you can be relied upon to be careful, efficient, and thorough in your work and you take pride in doing a job well. What you may lack in self-confidence you often make up for in skill - developing expertise, technical knowledge, and competency in some specialized area. You are adept at using your hands to create or fix things, and meticulous attention to detail and careful craftsmanship are your forte. Some would say you are a little TOO meticulous, for you can be extremely critical and petty if everything is not done exactly as you think it should be, and you worry about things that other people consider trivial and unimportant. You like to organize, categorize, and arrange everything into a logical system, and you are often distinctly uncomfortable when something does not fit into a neat category. Disorganization vexes you. You probably wish that you were not such a perfectionist, for besides being a stickler for details, you can be mercilessly self-critical as well. Whether in your environment or in yourself, you tend to focus on the flaws, with a desire to improve, refine, and perfect. You are strictly factual, truthful, and scrupulously honest in your self-estimation, and you often do not give yourself enough praise or credit.

31 agosto, 2006

OBRIGADA!
Foi mesmo surpresa. ADOREI! Não estava nada à espera das vossa visita ontem à noite. Obrigada por terem vindo... Fiquei muito feliz. Tive uma surpresa das que gosto, das que todos gostamos: das boas!
Mãe, mana... Foi tudo muito bem engendrado! Parabéns!
Não me vou esquecer dos 24 anos. Não vou!
Já vos disse que são especiais?

30 agosto, 2006

A HISTÓRIA DA MINHA VIDA
Há um projecto a arrancar para um argumento de filme. A ideia é encontrar histórias interessantes, reais, que possam servir de base ao tal argumento. Divulguem a ideia, por favor, nos vossos blogues e através dos vossos amigos.
24!!!

Com direito a validade de um ano!

29 agosto, 2006

Último dia dos 23...

Isso é bom ou é mau?!
Não me canso de ouvir esta música, dos Toranja.

QUEBRAMOS OS DOIS

Eu a convencer-te que gostas de mim,
Tu a convenceres-te que não é bem assim.
Eu a mostrar-te o meu lado mais puro,
Tu a argumentares os teus inevitáveis.
Eras tu a dançares em pleno dia,
E eu encostado como quem não vê.
Eras tu a falar para esconder a saudade,
E eu a esconder-me do que não se dizia.
Afinal...
Quebramos os dois afinal.
Quebramos os dois...
Desviando os olhos por sentir a verdade,
Juravas a certeza da mentira,
Mas sem queimar de mais,
Sem querer extinguir o que já se sabia.
Eu fugia do toque como do cheiro,
Por saber que era o fim da roupa vestida,
Que inventara no meio do escuro onde estava,Por ver o desespero na cor que trazias.
Afinal...
Quebramos os dois afinal.
Quebramos os dois afinal.
Quebramos os dois afinal.
Quebramos os dois...
Era eu a despir-te do que era pequeno,
Tu a puxar-me para um lado mais perto,
Onde se contam histórias que nos atam,
Ao silêncio dos lábios que nos mata.
Eras tu a ficar por não saberes partir,
E eu a rezar para que desaparecesses,
Era eu a rezar para que ficasses,
Tu a ficares enquanto saías.
Não nos tocamos enquanto saías,
Não nos tocamos enquanto saímos,
Não nos tocamos e vamos fugindo,
Porque quebramos como crianças.
Afinal...
Quebramos os dois afinal.
Quebramos os dois afinal.
Quebramos os dois...
É quase pecado que se deixa.
Quase pecado que se ignora.

22 agosto, 2006

PARABÉNS, MÃE!

Se um dia for mãe quero ser igual a ti.

15 agosto, 2006


Retiro Perfeito

Rumo a sul, junto ao mar. Caminhar com os pés descalços sobre a areia branca, sentir o sal na pele dourada pelo sol, respirar o vento... Acordar todas as manhãs com o riso do Manel. Escrever no silêncio do dia ou da noite. Olhar para o céu, salpicado de estrelas, e saber que a ele pertenço. Comer pãozinho quente, onde a manteiga se rendia e derretia nas nossas bocas. Abraçar aqueles de que mais gosto. Receber mimos dos que amo. Deitar-me e acordar e poder ver, ali, a minha mana. Tinha saudades disso... Das preocupações dela comigo. De a ver e ouvir quando queria. De sentir que ela estava mesmo ali. Ao meu lado. Abraçar os meus pais na praia, à frente de toda a gente, e mostrar ao mundo como são importantes para mim.
Ver Vila Viçosa de braços abertos e de copos estendidos. Não há gente genuína como aquela. Não há.
O Verão está prestes a acabar. Consegui agarrá-lo. Ficou preso aos meus sentidos. Ao meu sexto sentido.

10 agosto, 2006

Escrever numa varanda, em frente à ria, com a lua cheia sobre a mesa e o céu estrelado lá ao longe é indescritível. As estrelas parecem que estão bem mais perto de nós... A brisa fresca e o silêncio são encantadores. As palavras multiplicam-se ao som do teclado, furando o silêncio da noite. Também é bom estarmos sozinhos. Lembramo-nos de nós.

29 julho, 2006

Tenho andado desaparecida. Primeiro por falta de tempo e de inspiração. Segundo por falta de vontade... Fui extrair um sizo na quarta-feira passada e fiquei um pouco k.o. Felizmente não me doeu nada... Só quando tirei o cartão para pagar. Aí sim, doeu e de que maneira!
Esperemos que a vontade de escrever renasça rapidamente. A verdade é que passo os dias inteiros a escrever e depois não sobra muita vontade nem imaginação para o meu cantinho! Melhores dias virão! : )

23 julho, 2006

"O tempo pergunta ao tempo quanto tempo o tempo tem. O tempo responde ao tempo que o tempo tem tanto tempo quanto o tempo tem". Basicamente o tempo voa. E cada vez tenho mais consciência disso. As minhas semanas têm passado pelos meus olhos e os fins-de-semana são como uma brisa fresca que sopra nas tardes quentes. É pena ser passageira. Mas tenho feito o que gosto com quem gosto. E isso acaba por ser uma espécie de hidratante, que me suaviza a pele, seca pelo sol. Ontem diverti-me muito. PARABÉNS, CAROL! És uma grande pessoa, uma amiga maior.
A noite já vai longe... O sol traz recordações.

17 julho, 2006

PARABÉNS A UMA DAS TRÊS PESSOAS MAIS IMPORTANTES DA MINHA VIDA. O MEU QUERIDO PAI. ADORO-TE.
Quero aqui deixar a minha homenagem ao Ruben! Tem muito jeitinho.Não é, Mary?

16 julho, 2006

Gosto de calor e dos dias de praia, dos petiscos ao final de tarde, da brisa quente da noite. Dos bronzeados (diga-se naturais), da música alegre e da lua-cheia. No Verão, há mais sorrisos.
Adoro tudo isso mas calor a mais também não...Tem estado um calor insuportável. Espero que as temperaturas diminuam. E depressa!

12 julho, 2006

Quem é que disse que correr por gosto não cansa?

07 julho, 2006






Espera! NÃO PENSES MAIS. FICA!

06 julho, 2006

ESTÁ DIFÍCIL DIGERIR OS CROISSANTS...
Ontem a sorte virou-nos as costas. Podia ter acontecido com todos... Menos com os franceses! Que revoltante!Mais uma vez tiraram-nos o passaporte para a Final. Embora não goste muito da Selecção Italiana (acho que chegaram à Final com ajudas e mais ajudas, penaltis inexistentes...) vou torcer pela Squadra Zurra. França também não deve fazer ideia de como chegou onde chegou. Espero que os italianos sirvam um bom tiramisú aos gauleses!
Apesar de não termos conseguido ir à final continuo a achar que a nossa Selecção neste momento é a melhor do Mundo. É pena o nosso país ainda ser tão "pequeno" e incomodar tanta gente...
Estou muito orgulhosa do trabalho dos nossos rapazes! Obrigada pelos fantásticos momentos que nos ofereceram!

04 julho, 2006

Tudo em PAZ. Como se precisa.

02 julho, 2006


PORTUGAL NA MEIA-FINAL!!!
Obrigada, Portugal. Obrigada Scolari. Obrigada Ricardo. Mais uma vez o jogo contra Inglaterra foi um jogo de emoções. Mais uma vez chegámos aos penaltis. Mais uma vez o Ricardo defendeu e deu-nos o passaporte para as meias-finais. O país mereceu e os nossos meninos também. Os ingleses beberam do seu próprio veneno. Andaram a semana inteira a tentar destabilizar a nossa equipa mas não conseguiram. Virou-se o feitiço contra o feiticeiro. Portugal está entre as quatro melhores equipas do mundo. O Sr. Scolari continua a dar uma grande lição a todos os críticos que nunca acreditaram nem nele nem na força desta equipa. Portugal está em festa graças ao Felipão! Foi ele que despertou o país para a Selecção Nacional. Foi ele que nos pôs a gritar por Portugal, que nos pediu para colocarmos bandeiras à janela, que nos levou a voltar a cantar o hino, com orgulho.
A festa do futebol está em todo o lado. Nas ruas, as pessoas estão unidas por uma causa- a Selecção. Não vemos diferenças nem preconceitos: estão equipadas a rigor e partilham a mesma alegria, a mesma voz. Força, Portugal! Agora é até à final! Acredito nesta Selecção e acredito no Luiz Felipe Scolari. Gostava que ganhássemos o campeonato não só por todos os portugueses mas especialmente por Luís Figo. O nosso capitão merece este título. Só espero que o consiga!

29 junho, 2006

Para a Andreia,
"Uma pessoa despede-se de alguém, vai para casa, encontra-se com amigos mas a pessoa de quem nos despedimos continua connosco. Prolonga-se. Permanece. Tanto que não se sente a falta dela. (...) Não há nada para lembrar porque tudo continua por resolver, por continuar, e daí que não haja tristeza mas uma espécie suspensa de alegria, que paira como um perfume que não cheira a nada. Nem a mofo nem a futuro, como o ar que se respira, sem nos darmos conta de respirá-lo. Horas, dias, semanas. Foi tudo há bocadinho. Tudo continua como estava. Ainda está. Despedimo-nos sem uma despedida. Afastamo-nos sem sair do mesmo sítio onde nos encontrámos. É assim o amor. Nunca está longe. Tem tantas coisas atravessadas que não se pode arrumar. Não cabe no tempo. O coração entorna-o. Não há nada em redor. Estamos cheios de quem amamos. A pessoa continua em nós. "
Miguel Esteves Cardoso, In Explicações de Português
DÓI MENOS ASSIM
Está quase a chegar. O dia vem devagarinho, numa dança lenta, calma. Dói menos assim. Aconchega mais o coração. Mas ela vai-se mesmo embora. Já está a ir... Aos poucos. Dói menos assim. Acho que estou preparada... Mas vai fazer-me tanta falta. Não, não vai para o outro lado do mundo. Fica bem pertinho. Junto a nós. Mas dói na mesma. Uma dor egoísta, sem dúvida. Uma dor sem razão. Vai porque quer, porque tem de ser. Porque a vida é assim. Fica um certo vazio. Um silêncio por preencher. Sei que vai para nunca mais voltar. Nunca mais vamos viver juntas... Partilhar as mesmas paredes, o mesmo tecto, as mesmas horas. A minha casa vai deixar de ser a dela. Mas não a deixo partir nem da minha vida. Nem do meu coração. Ela faz parte de mim. Tem morada fixa. Para sempre. Vai feliz. E eu fico feliz por ela. Dói menos assim.

SEGUNDO
Tenho andado a ouvir muito este CD. Adoro as letras! A música portuguesa devia ser valorizada e tocar mais nas rádios!
Já agora fica a informação de que os Toranja vão tocar no casino dia 13 de Julho!

25 junho, 2006


VAMOS ESPREMER AS LARANJAS?!

LARANJA BOA... Só a do Algarve! Aquelas ainda estão verdinhas!

21 junho, 2006

"Sente as boas vibrações do que fazes, do que fazes..."
Há algum que não falo do que ando a fazer. O segredo é o êxito do nosso tipo de trabalho. E assim tem de permanecer! Mas aquilo que posso adiantar é que estou muito feliz. Gosto muito do projecto, identifico-me com ele, e acho que o resultado final vai ser surpreendente. Por enquanto estou a trabalhar em casa e, ao contrário do que pensava, está a ser fantástico porque consigo organizar muito melhor o meu tempo. Mas isso vai mudar e deve ser brevemente. Muito brevemente... Também não me vai custar! "Correr por gosto não cansa!".
A nossa dupla está a funcionar em pleno. Gosto de trabalhar com a Mafalda. Estamos quase sempre em sintonia. E quando não estamos percebemos rapidamente quem tem razão. Isso é bom!
Estou bem. Estou feliz.

18 junho, 2006

SENTE. OLHA NOS OLHOS. DIZ. DIZ O QUE SENTES. CONHECE-TE. E CONHECE OS OUTROS. VIVE. CHORA E SORRI,DA MESMA MANEIRA. VIVE.

17 junho, 2006



GOSTO MUITO DESTE SENHOR. MUITO! E fico irritada quando os treinadores de bancada (da terceira divisão) e os jornalistas-intelectuais-da-bola se metem no trabalho dele. Chega de estar sempre a dizer mal! Os portugueses gostam do Scolari! E os jogadores também!

Um dia cinzento que me deixa cinzenta.
Volta Verão!

15 junho, 2006


Fado do encontro

Vou andando
Cantando
Tenho o sol à minha frente
Tão quente, brilhante
Sinto o fogo à flor da pele
Tão quente, beijando
Como se fosses tu
Ao longe
Distante
Fica o mar no horizonte
É nele, por certo
Onde a tua alma se esconde
Carente, esperando
Esse mar és tu
Pode a noite ter outra cor
E o vento ser mais frio
Pode a lua subir no céu
Eu já vou descendo o rio...
Na foz
Revolta
Fecho os olhos, penso em ti
Tão perto
Que desperto
Há uma alma à minha frente
Tão quente, beijando
Por certo que és tu
Pode a lua subir no céu
E as nuvens a noite toldar
Pode o escuro ser como breu
Acabei por
T'encontrar
Vou andando
Cantando
Tive o sol à minha frente
Tão quente, brilhando
Que a saudade me deixou
Para sempre.
Por certo
O meu Amor és tu.
(Tim e Marisa)

13 junho, 2006

Tenho amado ler o Miguel...
AMAR
"O amor começa pelo amor. É o céu. O céu foi criado primeiro. A paixão é um impulso físico, matrial, mensurável, explicável por todas as ciências da atracção. É o mar. O mar está mais perto de nós. Podemos chegar ao fundo dele. A diferença entre o amor e a paixão é como a diferença entre a cosmologia e a oceanografia. O mar tem fim, tem peso, tem vida. O céu não tem limite. O céu é dos astrónomos e dos poetas, que sabem que hão-de morrer sem percebê-lo. O mar é dos cientistas e observadores, que podem passar a vida dentro dele, sabendo que é finito e perceptível. O céu, como o amor, tem Deus acima dele. O mar, como a paixão, tem o Homem lá dentro. Compare-se o efeito que os anjos têm sobre nós. com o que têm as sereias e perceber-se-á a distância entre a religião e a mitologia. A religião é uma coisa de Deus, do amor - a mitologia é uma coisa de pessoas-feitas-deuses, de paixão.
Como coincidem tantas vezes amor e paixão, é preciso isolá-los para não ocnfundi-los. (...) No amor preexiste o "ele". Não se trata de com pará-los, mas de isolá-los. São interessantes as misturas de elementos, de oxigénio, fogo e dinamite e é bom vivê-las e deixarmo-nos levar pelas explosões, mas continuam a ser em tudo distintos, em tudo incomparáveis. Não é uma questão de tempo - um amor pode acabar e uma paixão durar a vida inteira. Nem de intensidade - um amor pode ser loucado e uma paixão tranquila. É uma questão de natureza. Enquanto a paixão, tal como todas as atracções pelo exterior, começa por nós, o amor, que é o único sentimento interior, começa pela outra pessoa, nela reside e nela vive até morrer.
No fundo, o amor tem pouco a ver com a presença, com a convivência, com o tempo e as experiências por que passa.Quantas vezes acontece amar alguém sem suportar estar ao pé dela? Não é só na família. A familiaridade pode até atrapalhar o amor. A vida mete-se à frente da nossa alma e não a deixa respirar. É quando se está sozinho e longe que o amor se deixa ver mais claramente. (...) Mas se a vida serve para alguma coisa, que não seja apenas viver, é para amar. O amor é um dom porque, fazendo-nos sentir pequeninos e dependentes, afasta-nos de nós próprios e do mundo e aproxima-se da nossa alma, no que tem de bom, de razão para viver, da razão de Deus."
Miguel Esteves Cardoso, in Explicações de Português

12 junho, 2006

19h45. Cais do Sodré. Mal avisto a estação deparo-me com uma fila gigantesca de carros, vindos de todos os sentidos. Polícias de trânsito que tentam organizar aquilo que não era possível: o estacionamento dos carros. A Sara, que é uma grande amiga minha, e que leva tudo para a risota, lembra-se de começar a cantar uma marcha. A Luz, que está sentada no lugar de trás, tem vontade de nos acompanhar mas não sabe bem a letra. O pior é que nós também não passamos do refrão. Mas fazemo-nos ouvir: abrimos as janelas e cantamos bem alto.
Só perto da Feira da Ladra é que conseguimos estacionar. Mesmo em cima da passadeira. Aproxima-se um arrumador, com um sorriso amável e um olhar terno: “não se preocupem que hoje não há problema”. Mais de quarenta minutos à espera da Maria, das suas irmãs e de umas amigas. Finalmente chegam.
Descemos a calçada de S. Vicente e a fome começa a apertar. Olho para um lado e vejo mesas espalhadas por todos os cantos, postas à pressa. De cada prédio nascem fogareiros improvisados, empregados improvisados, restaurantes improvisados. Mas gosto daquela agitação. Gosto de ver as pessoas pacientemente à espera de um lugar para jantar. Só porque é uma noite diferente de todas as outras. E dos turistas deslumbrados a olhar ao seu redor com uma expressão de estranheza e de entusiasmo. Meto-me na fila. “Vai demorar”, diz a senhora, desorientada, enquanto corta um chouriço. A fila vai crescendo e a senhora não dá conta do recado. Mais meia hora a vermos travessas de sardinhas a passarem-nos pelo nosso nariz. Chega a Sara com copos de sangria. Está doce e fresca! Quarenta e cinco minutos a mais e a nossa paciência começa a chegar ao limite. Mas continuo encantada com o ambiente que nos envolve. A música marca o tempo a passar e a senhora lá se resolve a atender-nos. Milagre de Santo António! Um prato com duas sardinhas enfiadas em duas carcaças. Olho para um lado, olho para o outro e as mesas estão todas ocupadas. Lá ao fundo, a Sara começa a acenar. Encontra um lugar improvisado, como tudo naquele santo dia. Lá nos instalamos, mesmo por baixo de uns andaimes de um prédio que está a ser remodelado. A iluminação não é a melhor mas temos uma espécie de banco corrido onde nos podemos sentar comodamente e um caixote do lixo pronto para receber as espinhas - que não são poucas! Sento-me ali e delicio-me com a paisagem e com as sardinhas. Pessoas à janela que espreitam a sua rua, que nesta noite é mais dos outros do que delas. Sinto-me portuguesa, sinto-me lisboeta e tenho orgulho disso. Despejadas as espinhas começamos a seguir a multidão. Caminhamos sem destino atrás de desconhecidos, atrás da música que vai variando de rua para rua. Fico desiludida com o som que sai de cada aparelhagem. A música popular portuguesa foi substituída por brasileira. E dos bailaricos de que tantas vezes me falaram nem sinais!
Subimos mais uma calçada. É um caminho íngreme que nos leva até ao castelo. A folia continua. É impossível ficar indiferente a tanta agitação, a tanto divertimento. Paramos aqui mesmo em frente à roulote dos churros para dançar. Cruzo-me com conversas paralelas. Falo com desconhecidos. Nem sei bem de quê e isso não me interessa porque o que nos aproxima é aquela folia, aquele entusiasmo que somos quase obrigados a sentir. Olho para trás e há um olhar que me prende e que me faz estremecer. Penso como é que é possível no meio de tanta gente encontrá-lo. Mas ao mesmo tempo reconheço que mesmo antes de ir para Lisboa tinha pensado nessa possibilidade. Que à partida era remota… Ele aproxima-se de mim. Sorri. Estou desconfortável e ele também. Olho para ele e recordo aquela noite, o momento em que nos conhecemos. Lembro-me da estranha coincidência, que só descobri quando voltei para casa… Como é que nunca nos cruzámos antes? Ele pergunta-me se estou bem. Respondo que sim de imediato. Não quero que ele perceba o meu constrangimento. É nestas alturas que fico contente por a nossa alma ser opaca. As palavras chave já foram ditas. E agora? De que é que falamos? Olho novamente para ele e lembro-me daquela noite em que não lhe liguei nenhuma. Mas um mês depois tudo tinha mudado. Olho nos teu olhos e vejo que queres dizer tantas coisas mas não consegues e eu também não. Falamos de temas que não interessam naquele momento como o trabalho e a faculdade numa tentativa de camuflar as emoções. Temos tanto para dizer um ao outro mas não dizemos. Porque me apetece provar novamente o doce da tua boca. Porque me apetece dar-te um abraço bem apertado. Perder-me no teu olhar, nas tuas histórias, no teu sorriso. Que saudades. Mais uma vez as linhas das nossas vidas se cruzam. Mais uma vez estranhamente. A Sara puxa-me: “vamos andando!”. Olho para ti. Dou-te um beijo na cara, à pressa. Sorris e segredas-me ao ouvido: “ Gostei muito de te ver”. Uma frase incompleta a que eu não pude responder. Vou caminhando, olhando para trás, mas já não te vejo. Desapareces no meio da multidão. Sinto-me mal. Queria ter-lhe dito tanta coisa mas o orgulho impediu-me de o fazer. Acho que nunca amei verdadeiramente ninguém mas por ti sinto qualquer coisa que nunca senti por ninguém. Uma coisa forte que me aperta o peito, que me torna diferente daquilo que eu sou. Sinto a tua falta. Olho mais uma vez. Não te encontro. Fico triste.
Perco-me agora nos passos de dança porque já não há espaço para soltar o corpo. Somos empurradas para outra rua. Começa a ficar asfixiante andar por ali. Há gente estranha que quer estragar uma festa que é de todos. É lançada uma garrafa de cerveja na multidão. Felizmente que não acerta em ninguém. É triste e as ruas estão a ficar cada vez mais pequenas.
Percorremos quilómetros sem ter noção disso. Aqui, as distâncias parecem tão insignificantes. Começo a ouvir ambulâncias. O ambiente festivo começa a dar lugar a uma certa confusão. Isso incomoda-me. A mim e às outras. Olhamos para o relógio. Solto um bocejo. Chegou o momento de subirmos a calçada de S. Vicente e caminhar até à Feira da Ladra. As pernas começam a pesar mas falta pouco para chegar ao estacionamento. Há menos gente para aqueles lados e eu começo a sentir um vazio. Procuro reconforto na lua, não sei porquê mas o luar transmite-me sempre paz. Vislumbro o Panteão Nacional, que parece mais bonito e mais imponente à noite. Entramos no carro. Olho através da janela. A cidade de Lisboa vai ficando para trás. O som da música vai diminuindo, as cores das bandeirinhas que se tentam equilibrar nas cordas vão ficando esbatidas, a multidão transforma-se me formiguinhas. A única coisa que permanece da noite é cheiro a sardinha assada, que fica entranhado na nossa pele e nas nossas narinas. E as saudades dele. Fecho os olhos e adormeço.

"Os amigos não se perdoam nem julgam. Têm-se ou não se têm. Falam. Gozam.
Riem. AS diferenças entre eles unem-nos, ocupam-nos, divertem-nos - a única
igualdade necessária, a de serem amigos, já existe. Gostam de estar juntos,
mesmo quando nunca estão. As saudades são tão felizes como os momentos em que
estiveram. (...) A amizade é a única anarquia do mundo. Vive-se e mais nada."

(Miguel Esteves Cardoso, in Explicações de Português)